Sudão investiga mortes de 77 crianças em orfanato estatal

As mortes de 77 crianças no maior orfanato do Sudão provocou uma investigação, disseram autoridades nesta terça-feira, em um caso que destacou o problema dos menores abandonados no maior país da África.

ANDREW HEAVENS, REUTERS

27 de outubro de 2009 | 18h54

"Vimos os números oficiais e eles são horríveis. Eu elogio a decisão de abrir uma investigação sobre a atual situação em Mygoma", disse o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Sudão, Nils Kastberg, referindo-se ao orfanato estatal onde ocorreram as mortes.

O administrador da instituição beneficente que opera no orfanato de Cartum defendeu sua reputação, dizendo à Reuters que salvou milhares de crianças e acrescentando que mortes eram inevitáveis, dadas as condições dos bebês quando chegavam.

"Os números eram altos... mas no mês passado nós recebemos 46 bebês prematuros. Muitos deles sofrendo de septicemia. O que posso fazer?", disse Mohamed Muhedin Elgemiabby, chefe do Ana Assudan, instituição contratada para cuidar das crianças em Mygoma.

"A maior parte das crianças é prematura. Nascem em áreas sem higiene. São encontradas em canais, em esgotos... elas precisam de incubadoras, mas é muito difícil encontrar incubadoras".

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que centenas de bebês são abandonados em Cartum todos os anos por mulheres no país de maioria muçulmana, incapazes de suportar o estigma de ter um filho fora do casamento. Metade dos bebês morre antes de obter ajuda.

O Ministério do Bem-estar Social de Cartum disse nesta terça-feira que 77 crianças morreram no orfanato só em setembro, o número mais alto registrado em quatro anos.

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