Sudão pede prisão de líder de movimento rebelde de Darfur a Interpol

Solicitação pode colocar fim em negociações de processo de paz entre norte e sul do país

Reuters,

10 Maio 2010 | 22h25

O Ministro de Justiça do Sudão, Abdel Basit Sabderat, pediu à Interpol a prisão do líder do grupo rebelde mais poderoso de Darfur, disse nesta segunda-feira, 10, a imprensa estatal. Este é um passo que provavelmente destruirá as esperanças de avanços no vacilante processo de paz.

 

O presidente Omar Hassan al-Bashir afronta uma ordem da prisão da Corte Penal Internacional (CPI) por crimes de guerra durante uma campanha de contra-insurgência em Darfur, atos de violência que Washington descreveu como genocídio. Cartum rechaça ambos os crimes.

 

A ONU estima que cerca de 300.000 pessoas morreram na crise humanitária, surgida depois que uma maioria rebeldes não árabes pegou em armas no começo de 2003, exigindo mais direitos para a região.

 

O Centro de Meios Sudanês (SMC, na sigla em inglês) citou Sabderat ao dizer que o líder do Movimento Rebelde de Igualdade e Justiça (JEM), Khalil Ibrahim, deveria enfrentar um julgamento por um ataque sem precedentes em maio de 2008 na capital Cartum, que causou a morte de 200 pessoas.

 

"Foi solicitado às autoridades pertinentes da Interpol que o prendam em qualquer parte, já que poderia enfrentar um julgamento (...) e ser entregue às autoridades sudanesas), afirmou a SMC, citando Sabderat.

 

O funcionário instou "todos os Estados envolvidos a não resguardá-lo e extraditá-lo para encarar um julgamento", acrescentou o órgão.

 

Ibrahim abandonou as conversações de paz com o Catar e está em visita no Cairo, capital do Egito, país aliado de Cartum. Dirigentes do JEM se recusaram a comentar o relatório.

 

Segundo a SMC, Ibrahim é acusado por cerca de 14 crimes, incluindo assassinato e o início de uma guerra contra o Estado.

 

A medida de Cartum contra Ibrahim possivelmente colocará um final aos avanços nas conversações de paz, iniciadas com uma aproximação entre o Sudão e o vizinho Chade, que protege os rebeldes de Darfur.

 

"Isto significa que o processo de paz termina", disse uma fonte a par do conflito em Darfur.

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