Sudão pedirá à União Africana que retire suas tropas de Darfur

O Conselho de Ministros do Sudão anunciou neste domingo que pedirá à União Africana (UA) que retire suas tropas da região de Darfur, no oeste do país, a partir do final deste mês.O anúncio foi feito em comunicado da Secretaria-Geral do Conselho de Ministros, após uma reunião conduzida pelo presidente do Sudão, o general Omar Hassan Ahmad al-Bashir.A decisão foi tomada depois de o Conselho de Segurança (CS) da ONU determinar há quatro dias a ampliação da missão da organização no sul do Sudão para o envio de tropas a Darfur, em substituição às forças da UA."Após a retirada das tropas da UA, o governo sudanês será responsável por manter a segurança e proteger os civis de Darfur com um conjunto de medidas para fazer frente a qualquer situação ou acontecimento", afirma o comunicado.Durante a reunião, Bachir disse que a resolução 1.706 do Conselho de Segurança foi adotada no momento em que a situação de segurança melhorou em Darfur, após o tratado de paz de Abuja, assinado entre o governo sudanês e uma facção de um grupo rebelde, em maio.A resolução 1.706 estabelece a ampliação da Missão da ONU no Sudão (UNMIS), que atualmente opera no sul do país, após o acordo de paz obtido em janeiro do ano passado entre o governo de Cartum e o grupo rebelde Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS).Está estipulada uma ampliação de até 17.300 soldados e 3.300 policiais civis, que serão enviados a Darfur e assumirão as responsabilidades da missão que a União Africana (UA) possui atualmente. A missão é conhecida como Amis e seu mandato expira no final de setembro.A resolução autoriza o reforço do efetivo da Amis, que conta com sete mil soldados, e pede ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que planeje, junto com a UA, a transição para uma tropa de paz da ONU.Segundo o texto, os novos soldados deverão começar seu destacamento antes de 1º de outubro, e a transferência completa do comando à ONU deverá acontecer antes de 31 de dezembro.No entanto, o posicionamento não poderá acontecer sem que antes seja obtido o consentimento do governo de Cartum, que até agora vem negando taxativamente a presença das forças da ONU em Darfur.

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