Sudão promete cooperar com força da ONU em Darfur

Conselho de Segurança aprova envio de força de paz com 26 mil homens, a maior já criada, para a região

Opheera McDoom , REUTERS

01 de agosto de 2007 | 07h41

O Sudão classificou nesta quarta-feira, 1, como "prática" uma resolução do Conselho de Segurança Organização das Nações Unidas (ONU) para enviar 26 mil soldados e policiais da entidade e da União Africana (UA) a Darfur e afirmou que pretende cooperar totalmente com a mobilização. Veja Também ONU aprova envio de força de 26 mil homens para DarfurO histórico de conflitos no SudãoA operação conjunta, que na terça-feira teve autorização de usar a força para proteger civis e a maior operação aérea de ajuda do mundo, custará dois bilhões de dólares em seu primeiro ano."É prática. Leva em consideração a maioria das nossas preocupações, por isso estamos confortáveis com a resolução", disse o ministro das Relações Exteriores sudanês, Lam Akol.Ele disse também que o governo não vê problemas com o cronograma da missão, que prevê a chegada de todas as forças em até um ano."Agora que fomos parte do debate, definitivamente vamos cooperar", acrescentou.Akol refere-se às negociações que acabaram por retirar a ameaça de sanções caso o Sudão não cumprisse certas medidas. Missão internacionalA resolução da ONU autoriza o uso de até 19.555 militares e 6.432 policiais civis, os quais poderão formar a maior força de manutenção de paz do mundo.Especialistas internacionais estimam que cerca de 200 mil pessoas morreram e 2,5 milhões tiveram que fugir de suas casas desde que rebeldes, em sua maioria não-árabes, iniciaram uma luta armada em 2003 acusando o governo de negligenciar a região.Cartum afirma que são 9.000 mortos e culpa a imprensa ocidental por exagerar o conflito. A violência em Darfur começou em 2003, quando a população local, africana, pegou em armas contra o governo central do Sudão, controlado por sudaneses árabes. A capital do país, Cartum, retaliou mandando milícias árabes à região, que perpetraram vários massacres, estupros e assassinatos contra a população civil. Chamada de o primeiro genocídio do século 21, a guerra civil sudanesa já custou a vida de centenas de milhares de pessoas. Fala-se em 200 mil mortos, mas, segundo o Washington Post, esse número pode chegar aos 450 mil. Estima-se, ainda, que outras 2 milhões tiveram que abandonar suas casas.

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