David Keyton/AP
David Keyton/AP

Suécia e Dinamarca adotam políticas opostas contra o coronavírus

Enquanto dinamarqueses adotam isolamento mais radical, suecos mantêm escolas, bares e restaurantes abertos

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 19h18

MALMO, SUÉCIA - Apenas os 8 quilômetros de uma ponte separam as vizinhas Suécia e Dinamarca, mas enquanto as ruas da capital dinamarquesa, Copenhague, estão desertas, a vida em Estocolmo continua normal, em um momento em que os dois países adotam abordagens diferentes no combate à pandemia do coronavírus. 

A Dinamarca restringiu aglomerações públicas a no máximo dez pessoas. Determinou o fechamento de escolas, universidades, creches, restaurantes, cafés, bibliotecas, academias e salões de beleza. A Suécia, não. “Não acho que é tão perceptível aqui”, disse Michaela Johnsson sobre as medidas para combater o vírus. Seu salão de beleza em Malmo, terceira maior cidade da Suécia, com 317 mil habitantes, permanece cheio. “A maioria dos meus clientes se não trabalha em seus escritórios, trabalha em casa. Esperamos que eles não façam o mesmo que a Dinamarca e fechem os salões.” 

Nesta sexta-feira, 27, a Suécia proibiu reuniões de mais de 50 pessoas – até então, vetava apenas aglomerações de mais de 500 pessoas – e determinou que restaurantes podem servir apenas clientes sentados. Além disso, o governo pediu às pessoas que usassem o bom senso e ficassem em casa se estivessem doentes. 

A 35 minutos de carro, do outro lado do Estreito de Oresund, em Copenhague, Jorgen Skjodt, dono da cadeia de salões de beleza Dinamarca, olha para seus estúdios vazios. “Foi um pouco chocante descobrir que você tinha de fechar seus negócios”, disse. “Desde a semana passada, está vazio, sem funcionários, sem clientes, sem cabeleireiro, sem nada.”

Skjodt disse acreditar que sua empresa sobreviverá, pois ainda vende produtos e oferece conselhos de moda por telefone. “É como um pesadelo, onde, na verdade, não há ninguém em nenhum lugar”, comparou, acrescentando que confia no governo e apoia as medidas tomadas até agora. A Dinamarca fechou suas fronteiras e só permite a entrada de pessoas que entregam mercadorias, de quem trabalha e vive em outro território ou quem retorna de viagem. 

Já a Suécia adotou uma abordagem mais suave do que a maioria dos países do continente. O governo argumentou que fechar escolas seria ineficaz e restrições serão impostas no momento certo e pelo menor tempo possível. Com quase o dobro da população da Dinamarca, a Suécia tem 3 mil casos confirmados e 92 mortes. O país vizinho registra 2 mi infectados e 52 mortes. 

A Agência Pública de Saúde da Suécia admitiu, no entanto, que pode tomar mais medidas, caso o vírus se espalhe. “Mas devem ser medidas sustentáveis, não podemos apenas dizer que tudo precisa ser fechado por vários meses”, disse o epidemiologista Anders Tegnell. Com uma pressão cada vez maior dos pais, a primeira grande restrição talvez seja o fechamento das escolas – o governo, porém, ainda resiste. / REUTERS

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