Jason Tidwell/Mattel via REUTERS
Jason Tidwell/Mattel via REUTERS

Sufragista e jornalista negra americana ganha Barbie em sua homenagem

Ida B. Wells nasceu como escrava no Mississippi em 1862, durante a Guerra Civil, e venceu um Prêmio Pulitzer póstumo em 2020

Adela Suliman, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 18h30

WASHINGTON - A jornalista negra, sufragista e ativista anti-linchamento Ida B. Wells será homenageada em uma boneca Barbie, informou a Mattel, sua fabricante, nesta terça-feira, 11.

“A Barbie tem o orgulho de homenagear a incrível Ida B. Wells como o mais novo modelo em nossa série Inspiring Women, dedicada a destacar as heroínas que abriram o caminho para gerações de meninas sonharem grande e fazerem a diferença”, diz um post na conta oficial da Barbie no Instagram.

O ativismo e o trabalho de Wells trouxeram “luz às histórias de injustiça que os negros enfrentaram em sua vida”, diz o texto, acrescentando que aprender sobre “heroínas" como Wells pode ajudar as crianças de hoje a imaginar um futuro melhor.

Wells, que nasceu como escrava no Mississippi em 1862, durante a Guerra Civil, passou a romper fronteiras como uma sufragista proeminente que lutava para expandir o direito ao voto. 

Wells também ganhou um Prêmio Pulitzer póstumo em 2020 por sua “corajosa reportagem sobre a violência horrível e cruel contra afro-americanos durante a era do linchamento” e ajudou a fundar a Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP).

Vestindo um longo vestido preto, gola de renda branca e botas pretas, a boneca Barbie Wells segura uma cópia do jornal Memphis Free Speech and Headlight, do qual ela era co-proprietária.

A boneca estará à venda nos Estados Unidos a partir da próxima segunda-feira, 17, coincidindo com o Dia de Martin Luther King Jr. Outras mulheres representadas na série "Inspiring Women" ("Mulheres Inspiradoras") incluem a enfermeira Florence Nightingale, a estrela do tênis Billie Jean King e a autora Maya Angelou.

Wells, que também era conhecida como Wells-Barnett depois de se casar com o proeminente advogado e escritor negro Ferdinand Barnett em 1895, trabalhou para enfrentar o racismo no movimento de sufrágio feminino e escreveu extensivamente sobre sua crença no poder do voto para proteger os negros do horrores da opressão, do linchamento e do terrorismo racial.

Amplamente considerada uma das mulheres mais corajosas da história dos EUA, Wells tinha menos de 1,5 metro de altura e começou seu ativismo após ser expulsa de sua faculdade local por uma disputa com o reitor da universidade.

Depois que uma epidemia de febre amarela matou seus pais, ela precisou criar seus irmãos, aceitando um emprego de professora para sustentar sua família, de acordo com o Museu Nacional de História da Mulher.

Após o linchamento de um de seus amigos, Wells “voltou sua atenção para a violência da multidão branca”, disse o museu, investigando casos e publicando suas descobertas em panfletos e jornais em Memphis, enfurecendo os moradores e colocando sua vida em risco.

“Senti que era melhor morrer lutando contra a injustiça do que morrer como um cachorro ou um rato em uma armadilha”, escreveu Wells mais tarde em suas memórias.

Ela viajou internacionalmente, particularmente para a Europa, denunciando o linchamento para o público estrangeiro. Wells morreu em 1931 em Chicago, onde se concentrou em questões de reforma urbana e desigualdade social.

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