Reuters/Thomas Peter
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Sugerir que o novo coronavírus vazou de laboratório é 'manipulação política', diz China

Embaixada chinesa nos Estados Unidos reagiu após Joe Biden solicitar relatório de inteligência sobre a origem do vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 04h59
Atualizado 27 de maio de 2021 | 10h03

WASHINGTON — A embaixada da China nos Estados Unidos disse se tratar de "manipulação política" a teoria de que o novo coronavírus teria surgido em um laboratório em Wuhan. A declaração, feita nesta quinta-feira, 27, é uma resposta ao gesto de Joe Biden de solicitar um relatório de inteligência sobre a origem do vírus.

"Algumas forças políticas ficaram obcecadas com a manipulação e o jogo de culpa, ignorando a necessidade urgente de combater a pandemia e a demanda internacional por cooperação nesta frente, que causou a trágica perda de muitas vidas", disse um porta-voz diplomático. 

A alegação chinesa afirmou ainda que o país asiático sofre uma "campanha de difamação", ressaltando que a teoria de vazamento no laboratório de Wuhan voltou a ganhar força. O motivo que fez reacender o interesse por essa possibilidade é um relatório divulgado no início da semana pelo The Wall Street Journal, revelando que vários pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan teriam adoecido e sido hospitalizados em novembro de 2019, às vésperas da pandemia.

"Como a pandemia continua a causar grandes danos ao mundo e a comunidade internacional aguarda maior cooperação entre os países, algumas pessoas recorrem ao seu antigo manual. Não podemos deixar de nos perguntar: será que eles deixaram essa lição amarga para trás tão cedo? Querem ver as tragédias repetidas?", acrescentou a embaixada.

Esta é a primeira reação de Pequim depois que Biden ordenou a investigação aos serviços de inteligência dos Estados Unidos. O documento com as conclusões sobre a origem do vírus — ou a falta delas — deve ser entregue à Casa Branca em 90 dias. 

O líder democrata justificou o pedido citando que os dados atuais são insuficientes para determinar se o vírus surgiu de causas naturais ou de um acidente de laboratório. Por outro lado, Biden afirmou ser provável que, em virtude da resistência do governo chinês em cooperar com investigações internacionais, nunca se chegue a uma conclusão sobre como se originou o Sars-Cov-2.

"Pedi à comunidade de Inteligência que redobrasse seus esforços para coletar e analisar informações que possam nos trazer mais perto de uma conclusão definitiva e me reportar em 90 dias", disse Biden na quarta-feira. O presidente explicou que dois dos serviços de inteligência dos Estados Unidos estão inclinados à hipótese de que o vírus teria surgido do contato humano com um animal infectado, enquanto um terceiro, à ideia do laboratório.

Em resposta, a China criticou nesta quinta a "história sombria" dos serviços de Inteligência dos Estados Unidos. Rejeitando a necessidade de uma nova investigação sobre a pandemia, o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Zhao Lijian, afirmou que "os motivos e propósitos do governo Biden são claros".

"O mundo conhece há muito a história sombria dos serviços de Inteligência americanos", disse Zhao Lijian, referindo-se às infundadas alegações dos Estados Unidos sobre armas de destruição em massa que justificaram sua invasão do Iraque./ EFE e AFP

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