Suíça congela bens de Khadafi no país

Medida entra em vigor imediatamente e tem validade por três anos.

BBC Brasil, BBC

24 de fevereiro de 2011 | 18h15

Bens do líder líbio na Suíça ficarão indisponíveis por três anos

A Suíça anunciou nesta quinta-feira, com efeito imediato, o congelamento no país dos bens do líder líbio, coronel Muamar Khadafi, e de seus familiares e aliados.

A decisão, que proíbe a venda e o usufruto destes bens - inclusive imóveis -, tem origem na onda de violência na Líbia, na qual opositores do governo enfrentam forças fiéis a Khadafi, que está no poder desde 1969.

Ao anunciar a medida, o Ministério do Exterior suíço condenou "a violência cometida contra a população por parte das autoridades líbias, no termos mais fortes possíveis" e disse que o congelamento visa evitar qualquer apropriação indevida de bens líbios.

O Banco Central da Suíça estima que existam cerca de US$ 600 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) em bens líbios na Suíça atualmente. Há três anos, a estimativa era de que eles fossem cerca de US$ 6 bilhões (R$ 10 bilhões).

A Suíça também anunciou o congelamento dos bens dos ex-presidentes da Tunísia, Zine Al Abidine Ben Ali, e do Egito, Hosni Mubarak. Mas, em ambos os casos, a decisão foi comunicada depois que os dois líderes deixaram o poder, após semanas de protestos populares em seus países.

Pronunciamento

Em pronunciamento feito nesta quinta-feira por telefone, transmitido pela TV estatal líbia, Khadafi culpou a rede extremista Al-Qaeda e o seu líder, Osama Bin Laden, pelos protestos contra o governo que estão sacudindo o país desde 15 de fevereiro.

Khadafi falou supostamente a partir da cidade de Zawiyah (a cerca de 50 km da capital, Trípoli), onde estão sendo registrados enfrentamentos entre forças pró e contra o governo.

"Bin Laden é o inimigo que está manipulando as pessoas. Não se deixem enganar por Bin Laden", afirmou Khadafi.

"É óbvio que esta situação esta sendo causada pela Al-Qaeda. Esses jovens armados, nossos filhos, estão sendo incitados pelas pessoas que são procuradas pelos Estados Unidos e o Ocidente."

Drogas

Na última terça-feira, o coronel fez um discurso em que indicou que não pretende deixar o poder e que lutará "até a última gota de sangue".

No novo pronunciamento, Khadafi adotou um tom mais brando e se dirigiu às famílias líbias. Ele disse que as manifestações, marcadas por uma grande participação de jovens estão sendo causadas pelo "uso excessivo de drogas".

"Voltem para as suas casas, conversem com os seus filhos", disse Khadafi. "Eles são jovens, eles estão armados, estão usando granadas, estão atacando delegacias de polícia. Isso é causado pelo uso excessivo de drogas."

O líder disse que os organizadores do protesto - "terroristas internacionais" - estão "levando os seus filhos para a morte".

"Eles não dão a mínima se o seu país (a Líbia) está sendo destruído", afirmou.

Khadafi reagiu à pressão por sua retirada afirmando que "há líderes há mais tempo no poder" do que ele, "como a rainha Elizabeth", referindo-se à rainha Elizabeth 2º.

Povo armado

A aparição do líder líbio veio em meio a novos enfrentamentos entre forças a favor do seu regime e contra o governo, principalmente no oeste do país.

Há sinais de algumas cidades ocidentais estejam saindo do controle do governo. O mesmo ocorre em boa parte do leste do país - incluindo Benghazi, a segunda cidade mais populosa da Líbia -, que está sendo controlado pela oposição.

Trípoli continua sendo uma espécie de bastião do regime. Em Misurata, que havia sido tomada pela oposição, os relatos são de enfrentamentos pelos quais o regime procura restabelecer controle.

Em Zawiya, testemunhas disseram que forças do governo atacaram manifestantes utilizando metralhadoras e armas antiaéreas.

Uma médica disse que havia visto dez corpos e cerca de 150 feridos.

Organizações de direitos humanos divergem quanto ao número de vítimas dos confrontos. O patamar mínimo parece ter alcançado os 300 mortos.

Um diplomata francês, François Zimeray, disse que já existem indícios suficientes para iniciar uma investigação de crimes contra a humanidade cometidos por Khadafi na onda de violência.

Leia:

Europa

Também nesta quinta-feira, ministros do Interior dos países da União Europeia se reuniram para discutir a onda de imigração desencadeada pela instabilidade no norte da África.

Países mediterrâneos da União Europeia vinham pedindo que o bloco tomasse medidas para suavizar o impacto da migração em massa, distribuindo os imigrantes em outros países da UE que não são diretamente atingidos pelo problema.

Entretanto, segundo um correspondente da BBC que acompanhou o encontro em Bruxelas, a proposta teve uma recepção pouco entusiasmada, e s países-membros do bloco expressaram a disposição apenas de enviar representantes para acompanhar a saída de pessoas da região.

Acredita-se que pelo menos um milhão de imigrantes, muitos deles de fora da Líbia, estejam no momento no país buscando formas de chegar à Europa.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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