Suíça congela contas de assessores de Taylor

O governo suíço anunciou nesta quarta-feira que bloqueou US$ 1,47 milhão que estava depositado em contas no país em nome de pessoas ligadas ao presidente da Libéria, Charles Taylor. Segundo a Justiça da Suíça, as contas foram abertas nos últimos quatro anos e os titulares são dois dos principais assistentes do presidente liberiano. Há um mês, a Justiça suíça pediu para que todos os bancos de Genebra e Zurique enviassem informações sobre eventuais contas de Taylor e de seus assessores. Um dos motivos oficiais para a iniciativa foi o fato de que o presidente havia sido indiciado por crimes de guerra por um tribunal da ONU em Serra Leoa. Segundo o tribunal, o liberiano esteve envolvido em massacres, violações e seqüestros ocorridos entre 1996 e 2001. Alguns de seus auxiliares também podem vir a ser apontados como criminosos de guerra. ?Nenhuma conta foi encontrada na Suíça com o nome de Charles Taylor", informou o governo de Berna - que, no entanto, aponta que, no total, os liberianos contam com US$ 3,3 bilhões em investimentos na Suíça. Acredita-se que Taylor tenha recebido um significativo volume de dinheiro dos rebeldes de Serra Leoa pelo apoio recebido durante a guerra civil naquele país. Os recursos teriam sido transferidos ao liberiano em forma de diamantes, produto que estava sob o controle dos insurgentes em Serra Leoa. O presidente liberiano também está sendo investigada na Suíça por enriquecimento através da venda ilegal de madeira africana. Para se defender da acusação de envolvimento em massacres, Taylor já conta com um profissional: o veterano advogado holandês Michail Wladimiroff, que também responde pela defesa do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic perante o Tribunal Penal Internacional para a Iugoslávia. Wladimiroff disse que Taylor telefonou para ele nesta quarta-feira para pedir-lhe assistência jurídica, mas não disse se seu novo cliente pretende ir a Serra Leoa para ser interrogado.

Agencia Estado,

23 Julho 2003 | 15h31

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