Suíça congela US$ 700 milhões de Mubarak

A Justiça da Suíça congelou ontem cerca de US$ 300 milhões em contas em Genebra em nome dos filhos do ex-ditador do Egito Hosni Mubarak. A ação dos suíços é a maior já realizada contra ditadores estrangeiros que, por décadas, mantiveram contas no país. Além da família Mubarak, o clã Kadafi e os líderes da Tunísia e da Síria também tiveram bens bloqueados nos últimos anos.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h03

A fortuna foi encontrada na agência do Crédit Suisse, de Genebra, e representa quase metade de todo o dinheiro já bloqueado pelos suíços. No total, US$ 700 milhões estão congelados no país, inclusive US$ 7 milhões em nome da família de Paulo Maluf.

O jornal suíço Le Matin revelou ontem que as contas estavam em nome de Alaa e Gamal Mubarak, filhos do ex-presidente. Gamal era uma espécie de gerente de negócios de seu pai e seu ponto de contato, inclusive com representantes no Brasil. Os dois filhos são acusados de terem se beneficiado dos 30 anos de regime do pai para desviarem milhões de dólares para o exterior.

Segundo o jornal, o dinheiro chegou a Genebra em 2005, quando a Suíça já começava a se preocupar com sua imagem internacional de receptora de dinheiro sujo. As autoridades suíças abriram processos contra 14 pessoas próximas a Mubarak.

Com relação às demais fortunas de ex-ditadores, o governo suíço estaria aguardando uma definição política na maioria desses países para autorizar a devolução dos recursos. Ainda assim, a mera divulgação da notícia causou a indignação de partidos de esquerda, que reclamam que a Suíça se transformou em caixa-forte de algumas das piores ditaduras do mundo. A direção do Crédit Suisse se recusou a comentar o caso.

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