Suíça é acusada de colaborar com o apartheid

Depois de ter sido provado que os bancos suíços mantiveram relação próxima com governos fascistas durante a Segunda Guerra Mundial, mais um escândalo atinge as instituições financeiras do país.Segundo queixa aberta em Nova York nesta semana, os bancos suíços teriam colaborado com o regime do apartheid na África do Sul. Segundo o processo aberto por um grupo de 4 mil ONGs, apesar das sanções contra o regime de Johannesburgo, os suíços mantiveram suas relações normais com os sul-africanos, e os bancos forneceram créditos ao governo racista.Foram exatamente esses créditos que permitiram, segundo o processo, a sobrevivência do regime, que não podia contar com empréstimos de outros bancos internacionais.Agora, as ONGs pedem uma compensação de US$ 50 bilhões aos bancos UBS e Crédit Suisse, as duas maiores instituições financeiras da Suíça. Os dois bancos afirmam que a queixa não tem fundamento.Apesar do pedido de indenização, os advogados do processo garantem que o que querem é o reconhecimento de que os bancos colaboraram, de uma forma ou outra, com o apartheid.O fato de a Suíça nunca ter adotado as sanções da ONU permitiu que o país continuasse comprando ouro dos sul-africanos, que são um dos maiores produtores do mineral no mundo.Em poucos anos, Zurique se tornou um dos centros mundiais da comercialização de ouro. O processo aberto nesta semana promete ter importantes repercussões na Suíça. O país, que por muito tempo foi obrigado a fazer um exame de consciência quanto à sua participação na Segunda Guerra Mundial, terá que voltar a repensar seu papel em mais um capítulo negro da história do século XX.Durante os anos do apartheid, a única referência dos suíços ao racismo do governo da África do Sul é que se tratava de uma prática "moralmente condenável". Desta vez, porém, os suíços não estão sozinhos. Empresas européias, em especial as britânicas, também estão sendo processadas por suposta participação para a manutenção do apartheid, entre 1960 e 1992.

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