Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Suíça entrega ao México arquivo sobre Raúl Salinas

O governo suíço entregou nesta quarta-feira às autoridades mexicanas seus arquivos sobre a investigação de lavagem de dinheiro que realiza sobre Raúl Salinas, irmão do ex-presidente mexicano Carlos Salinas. Cerca de 300 volumes reunidos ao longo de sete anos sobre o caso Raúl Salinas foram entregues ao embaixador mexicano e representantes da Procuradoria de Justiça do México em Berna, a capital suíça, informou o Ministério da Justiça suíço. As autoridades suíças manterão congelados, como fazem desde o início das investigações em 1995, US$ 105 milhões em contas em Genebra e Zurique, à espera de uma solicitação mexicana de que esse dinheiro seja entregue, informou o ministério em um comunicado. O México aceitou em junho encarregar-se do caso após os investigadores em Genebra dizerem que já haviam feito tudo o que podiam "para esclarecer, sem deixar nenhuma dúvida, a origem dos bens", disse uma declaração do ministério. Uma apelação havia sustado até agora a entrega dos documentos às autoridades mexicanas. Funcionários suíços argumentam que o dinheiro acumulado por Raúl Salinas proveio de narcotraficantes, enquanto para as autoridades mexicanas ele é possivelmente produto da corrupção política. Salinas alega que toda a verba faz parte de um "fundo de investimentos" informal para empresários mexicanos e acusou as autoridades suíças de exagerar o tamanho de suas contas.Raúl Salinas, de 56 anos, cumpre uma pena de 27 anos por planejar o assassinato de seu ex-cunhado, então secretário-geral do ex-governante Partido Revolucionário Institucional (PRI). As autoridades mexicanas acusaram Salinas de canalizar fundos públicos para contas privadas na Suíça. O México afirma que o dinheiro foi desviado para Salinas a partir de uma "verba secreta", tradicionalmente posta à disposição dos presidentes mexicanos, que não têm de responder por seu uso. Salinas afirma que uma lei aprovada pelo Congresso em 1985 para declarar ilegal o mau uso desses fundos é anticonstitucional, porque viola o privilégio presidencial. Carlos Salinas de Gortari, que governou o México de 1988 a 1994, não foi acusado de nada, nem no caso do assassinato nem no caso contra seu irmão. O ex-presidente nega qualquer conhecimento sobre os fundos congelados. Nos últimos anos, o sucessor de Carlos Salinas, Ernesto Zedillo, deixou de usar os fundos secretos e o mesmo fez o atual presidente, Vicente Fox.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.