Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Suíça entrega aos EUA US$ 51 milhões em ativos congelados da PDVSA

Fundos foram enviados como parte de uma investigação americana sobre corrupção na estatal venezuelana do petróleo que pode chegar a US$ 11 bilhões

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2016 | 01h05

GENEBRA - A Suíça entregou aos Estados Unidos na terça-feira, 25, US$ 51 milhões em ativos congelados como parte de uma investigação americana sobre corrupção na PDVSA, estatal venezuelana do petróleo. Os fundos estão ligados a magnatas venezuelanos que se declararam culpados à Justiça americana por terem participado de um esquema de corrupção pode envolver mais de US$ 11 bilhões, segundo autoridades suíças.

O Departamento de Justiça dos EUA confirmou que existe uma investigação em andamento sobre pagamento de propina a funcionários da companhia. Em dezembro, o governo americano pediu à Suíça o congelamento de US$ 118 milhões em ativos. Desse total, US$ 51 milhões foram transferidos esta semana, segundo autoridades suíças, e os US$ 67 milhões restantes permanecem congelados.

"No dia 11 de outubro, o Departamento de Justiça ordenou a entrega de US$ 51 milhões", indicou o Executivo suíço em uma nota oficial. "Os ativos foram transferidos para o Tesouro americano uma semana depois. O restante dos ativos - cerca de US$ 67 milhões - continuam congelados", explicaram os suíços.

A Justiça dos EUA já indicou, no entanto, que poderia fazer um dos maiores confiscos de sua história, com ativos e propriedades em nome de pessoas implicadas no caso. Mais de dez venezuelanos passaram a ser alvos de uma investigação americana, incluindo um ex-presidente da estatal. 

Eles são suspeitos de terem recebido propinas de operadores para garantir contratos. Uma lista inicial de propriedades nos EUA foi estabelecida, envolvendo mais de 20 residências, incluindo mansões em locais de luxo como West Palm Beach. O levantamento também conta com jatos privados e cotas em fundos de investimentos.

Entre os fornecedores com contratos sob investigação estão a General Electric e a Rolls Royce. Já o dinheiro da suposta propina teria passado por bancos como o Citigroup e o JPMorgan Chase.

Nos EUA, pelo menos um venezuelano, Roberto Rincon, admitiu à Justiça que fez parte de um esquema de US$ 1 bilhão em propinas para garantir acordos de empresas com a PDVSA. Já na Venezuela, a oposição também alega que está em busca de recuperar cerca de US$ 11 bilhões que teriam sumido dos caixas da estatal entre 2004 e 2014. Naquele período, quem comandava a empresa era Rafael Ramirez, hoje embaixador de Caracas na ONU. / COM REUTERS

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