Suíça espera decisão da ONU para liberar dinheiro de ditador

O Conselho Nacional Transitório (CNT) da Líbia, órgão rebelde com sede em Benghazi, deve esperar uma nova resolução da ONU para ter acesso a cerca de US$ 897 milhões do regime de Muamar Kadafi congelados na Suíça, disseram ontem representantes do governo suíço. O CNT, que deve assumir o poder em Trípoli, precisa do dinheiro para reconstruir a Líbia depois de quase seis meses de guerra civil.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

A Suíça disse estar disposta a descongelar fundos assim que as Nações Unidas levantarem as sanções impostas contra a Líbia. "A maior parte dos fundos pertence a empresas estatais e não a indivíduos", disse Roland Vock, diretor de um órgão de assuntos econômicos do governo suíço.

A Alemanha foi o primeiro país a destacar a urgência de uma nova resolução no Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, para desbloquear bilhões em fundos espalhados por diversas partes do mundo.

"É algo que precisa ser feito o mais rapidamente possível para a Líbia ser reconstruída nesta era pós-Kadafi", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle.

Apesar dessa iniciativa, ainda não está claro quando o Conselho de Segurança votará a medida. Segundo alguns diplomatas, é melhor aguardar para ver o que acontecerá nos próximos dias em Trípoli. Também há a necessidade de verificar exatamente como o dinheiro será entregue ao CNT.

O descongelamento de bens de ex-ditadores nem sempre ocorre de forma rápida. Há casos nos quais a demora é de até quatro anos. Um dos exemplos é o da Nigéria depois do fim do regime de Sani Abacha, conforme lembrou ontem a chancelaria da Suíça.

Estimativas chegam a indicar que Kadafi teria até US$ 250 bilhões no exterior, mas o mais provável, segundo analistas, é que o valor atinja cerca de 10% desse montante - US$ 25 bilhões. Uma das dificuldades será rastrear o dinheiro, espalhado por diferentes países, Governos e organizações independentes estão trabalhando em conjunto para localizar o dinheiro.

Além dos fundos no exterior, existem informações de que o Banco Central da Líbia teria 144 toneladas de ouro em reservas.

Esta quantidade coloca a Líbia entre os países com maior quantidade desse minério, que tem se valorizado em todo o mundo. Não está claro ainda se, após o início da revolta, em março, Kadafi teria contrabandeado parte desses recursos.

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