Suíça investiga contas secretas de Yanukovich

Ucraniano deposto teria US$500 milhões no país; um de seus filhos montou empresa de exportação com sede em Genebra

Jamil Chade, Correspondente / Genebra,

27 de fevereiro de 2014 | 23h12

GENEBRA - A Suíça ordenou na quinta-feira, 27, a todos os bancos do país que busquem e eventualmente congelem qualquer conta registrada no nome de Viktor Yanukovich, o ex-presidente ucraniano que deixou o poder e está em fuga desde sábado. Há suspeitas de que Yanukovich possa ter US$500 milhões depositados na Suíça.

O governo de Berna anunciou que já solicitou aos bancos que declarem se têm qualquer tipo de ativos em nome do ex-líder. O governo suíço quer uma varredura em todos os negócios que tenham relação não só com o próprio ex-presidente, mas também com sua família.

A decisão, que será oficializada na sexta-feira, foi tomada depois que o novo primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatseniouk, acusou o ex-presidente de ter fugido do país "esvaziando os cofres públicos". No total, o novo governo indicou que US$ 37 milhões sumiram da Ucrânia desde a queda de Yanukovitch.

As ligações entre a Suíça e o ex-governante eram intensas. Um de seus filhos, Alexandre Yanukovich, abriu em 2011 uma empresa em Genebra com a meta de ser uma espécie de entreposto para a venda de carvão ucraniano ao mundo.

A Mako Trading, em apenas dois anos, teria gerado uma fortuna de mais de US$ 500 milhões à família do ex-presidente. Um dos apoiadores da Mako Trading ainda seria o homem mais rico da Ucrânia, Rinat Achmetov, figura próxima do ex-presidente.

Com a fuga de Yanukovich, a população ucraniana pôde pela primeira vez entrar nas mansões do ex-presidente, rebatizadas de "Museus da Corrupção".

Mesmo que eventuais fundos de Yanukovich sejam congelados, a Suíça afirma que, por enquanto, não limitará que ele ou qualquer outro integrante de sua família entrem em seu território.

Nos EUA, a Casa Branca tomou a decisão de proibir a entrada de cerca de 20 pessoas do antigo governo ucraniano, alegando que eles ordenaram ataques a manifestantes. Berna optou por suspender a venda de todo o tipo de material de guerra para a Ucrânia. Entre 2009 e 2012, os suíços exportaram mais de US$ 2 milhões em armas, incluindo metralhadoras e munições para a polícia ucraniana.

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