Suíça suspende acordo com Líbia e exige volta de presos

O governo suíço suspendeu hoje um acordo para reparar suas relações com a Líbia, até que dois cidadãos suíços mantidos no país árabe possam voltar para casa. A Suíça também endureceu restrições a vistos para cidadãos líbios, na mais recente troca de acusações entre as duas nações desde a prisão e breve detenção do filho do líder líbio Muamar Kadafi, no ano passado.

AE-AP, Agencia Estado

04 Novembro 2009 | 17h25

"O lado líbio sistematicamente se recusa a cooperar", afirmou um comunicado do gabinete suíço. Segundo o texto, a Líbia "sequestrou" os dois homens e impede que eles recebam visitas, em desacordo com a legislação internacional.

A decisão ocorre após repetidos esforços da Suíça para assegurar a libertação de dois empresários que estão em algum ponto não conhecido da Líbia. O jornal suíço "La Liberté" afirma que Hannibal, um filho de Kadafi, exige US$ 50 milhões pela libertação, mas as autoridades se recusam a confirmar a versão.

O sofrimento dos empresários Max Goeldi e Rachid Hamdani enfureceu a Suíça, que já se desculpou publicamente por seu tratamento a Hannibal Kadafi. O filho do líder líbio foi preso por dois dias no país europeu por supostamente agredir funcionários em 2008, em um luxuoso hotel de Genebra.

A Líbia impede há mais de um ano que a dupla deixe o país. O caso piorou quando, mesmo após um acordo de agosto, os dois foram transferidos para um local secreto, "por razões de segurança", inclusive pelo temor da "ameaça de que a Suíça possa libertá-los militarmente", segundo uma carta do governo líbio citada pelo Ministério das Relações Exteriores da Suíça.

O impasse atual é um embaraço para o governo suíço e especialmente para o presidente Hans-Rudolf Merz, que assinou pessoalmente o acordo com a Líbia. Merz chegou a dizer que ele iria "aguentar as consequências" caso os empresários não retornassem à Suíça até 1º de setembro. O prazo se esgotou e o presidente tem ignorado os pedidos para deixar o cargo.

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