Suicídio é a única saída em Gantánamo, diz advogado

David McLeod, advogado de David Hicks, o único australiano detido pelas autoridades americanas em Guantánamo disse hoje que, nos últimos anos, mais de cem tentativas de suicídio foram registradas entre os presos da região. "Todos os juristas internacionais e acadêmicos do Ocidente condenaram Guantánamo. É um campo de tortura e de detenção por tempo indeterminado. Agora terá a fama de prisão da morte", afirmou McLeod à rádio australiana ABC. Desde que soube do suicídio de dois sauditas e um iemenita, o advogado passou a ficar preocupado com o estado de seu cliente. "Ele está em uma prisão onde os presos encaram o suicídio como única saída". Hicks foi capturado no Afeganistão no final de 2001 e sua única possibilidade de ser libertado está no uso da cidadania britânica concedida pelo Superior Tribunal do Reino Unido, que foi contestada pelo governo britânico. O Partido Verde anunciou que na terça-feira apresentará uma moção para que o Senado australiano se pronuncie pelo fechamento do centro de detenção de Guantánamo e pelo retorno de Hicks à Austrália. "Guantánamo é um centro de tortura ilegal, que não tem lugar em uma sociedade civilizada. É um retorno à Idade Média e não tem nada a ver com o Cristianismo", declarou Bob Brown, senador pelo partido.

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