Suicídio tumultua saída de Sarkozy

Policial se mata em Tel-Aviv e, temendo ataque, agentes correm para proteger presidente francês e líderes israelenses

Reuters e AP, Tel-Aviv, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2008 | 00h00

Um policial israelense suicidou-se ontem com um tiro na cabeça durante a cerimônia de despedida do presidente francês, Nicolas Sarkozy, no aeroporto de Tel-Aviv. O incidente provocou uma confusão. Temendo um atentado, os segurança correram para tirar Sarkozy e os líderes israelenses do lugar.O suicídio ocorreu quando a banda militar tocava um hino e, aparentemente, os líderes políticos não escutaram o disparo. Imagens de TVs israelenses mostravam o primeiro-ministro Ehud Olmert beijando a mulher de Sarkozy, Carla Bruni, e o presidente israelense, Shimon Peres, despedindo-se de seu colega francês, quando agentes armados apareceram correndo. Alguns conduziram Sarkozy e Carla pelas escadas do avião enquanto outros levaram Olmert e Peres para seus automóveis.Assustada, Carla subiu as escadas correndo na frente do marido. Sarkozy agiu de modo mais tranqüilo e até acenou para seus anfitriões. Depois do tumulto, que durou alguns minutos, Olmert subiu no avião para explicar o ocorrido e despedir-se de Sarkozy. Um porta-voz policial negou rumores de que o incidente teria sido uma tentativa de assassinato contra o presidente francês. "Estamos investigando as circunstâncias para saber se realmente foi suicídio ou se a arma disparou acidentalmente", disse o comandante da polícia local, Nissim Mor.O incidente ocorreu no fim da visita de três dias de Sarkozy a Israel e aos territórios palestinos. Esta foi a primeira viagem oficial de um presidente francês a Israel desde a de François Mitterrand em 1982.Durante sua estada, Sarkozy declarou-se um aliado de Israel, prometendo defender o Estado judeu de qualquer ameaça, e ofereceu-se para mediar um acordo de paz com os palestinos. No entanto, pediu o fim da expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia e defendeu que Jerusalém seja declarada capital de Israel e de um futuro Estado palestino.Durante visita a Belém, na Cisjordânia, Sarkozy disse ontem ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que a criação de um Estado palestino é uma prioridade para a França. Ele também reiterou que seu país não discute com "terroristas", numa referência ao movimento radical islâmico Hamas, que há um ano tomou o controle da Faixa de Gaza. "A segurança de Israel não é negociável para a França, mas a criação de um Estado viável, democrático e moderno para os palestinos é uma prioridade para a França", disse Sarkozy.ATAQUESMilitantes do grupo palestino Jihad Islâmica dispararam ontem três foguetes da Faixa de Gaza contra a cidade israelense de Sderot, após o Exército de Israel matar dois palestinos na Cisjordânia. Olmert qualificou o ataque da Jihad como uma descarada violação da trégua em Gaza e disse que estudará as opções. O cessar-fogo, mediado pelo Egito, entrou em vigor na quinta-feira. Sami Abu Zuhri, funcionário do Hamas, pediu ontem a todas as facções palestinas que respeitem o acordo de trégua. "O Hamas está determinado a manter o acordo", acrescentou.O Egito assegurou ontem a Israel que só abrirá sua fronteira com Gaza após um acordo para a libertação do soldado israelense Guilad Shalit, capturado por militantes palestinos dois anos atrás. Durante encontro no balneário egípcio de Sharm el-Sheik, Olmert pediu ao presidente do Egito, Hosni Mubarak, que lidere "negociações intensivas" com o Hamas para obter a libertação de Shalit.Também ontem, Karnit Goldwasser, a mulher de um dos dois soldados capturados pelo Hezbollah em julho de 2006, disse que Olmert pedirá domingo a seu gabinete que aprove uma troca de prisioneiros com o grupo xiita libanês. A captura dos soldados deu início a uma guerra de um mês entre Israel e o Hezbollah.

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