Suíços acusados de proteger fortuna de Saddam Hussein

Os suíços estão sendo acusados de proteger a fortuna de Saddam Hussein. Há poucos dias, o canal de TV norte-americano CBS divulgou um documentário que mostra que o ditador iraquiano teria um verdadeira rede financeira secreta em Genebra, cuidando de seu dinheiro. O canal de TV construiu sua investigação com base em relatórios feitos pelo escritório de advocacia norte-americano Kreindler & Kreindler, e pela Coalizão pela Justiça Internacional, uma entidade independente que fiscaliza o papel de terceiros governos diante de ditadores. Segundo a investigação, entre 10 e 20 empresas suíças estariam colaborando com Saddam por meio do programa da ONU "petróleo por alimentos", que permite que o Iraque venda seu principal recurso mineral em troca de alimentos. O problema é que essas empresas estariam comprando o petróleo sem dar a contrapartida em alimentos. O dinheiro iria diretamente para as contas de Saddam em Genebra. A descoberta colocou a ONU em situação delicada. É a entidade quem faz os contratos entre as empresas e o governo de Bagdá. A ONU tem a função de fiscalizar o que está sendo feito com o petróleo vendido pelos iraquianos e se está sendo, de fato, trocado por alimentos. Procurada pelo Estado, a Organização das Nações Unidas se recusou a comentar a notícia. Já o governo suíço prometeu abrir uma investigação sobre as empresas envolvidas, mas ainda não estipulou qualquer tipo de inquérito contra os bancos que poderiam estar guardando o dinheiro de Saddam. Na Suíça, cerca de 75 empresas estão autorizadas a comprar petróleo iraquiano. Existe ainda a desconfiança de que, assim como ocorreria com as companhias suíças, empresas de paraísos fiscais, como Liechtenstein, também estariam envolvidas no escândalo. Ninguém saberia dizer, porém, quanto dinheiro teria ido para os bolsos do ditador.

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