AP/Ahn Young-joon
AP/Ahn Young-joon

Sul-coreanas protestam contra acordo feito com o Japão sobre mulheres forçadas à prostituição

Manifestantes carregavam cartazes de sul-coreanas que foram escravas sexuais de militares japoneses antes e durante a Segunda Guerra

O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2015 | 16h16

SEUL - Centenas de manifestantes sul-coreanas se uniram nesta quarta-feira, 30, a duas mulheres forçadas à prostituição pelo Exército japonês durante a ocupação da Coreia para condenar um acordo feito com o Japão para desentravar o maior empecilho em seus laços bilaterais, justamente o conflito em torno das milhares de coreanas obrigadas pelo Exército japonês a se prostituir antes e durante a Segunda Guerra.

As duas "mulheres de conforto", um eufemismo usado para denominar as mulheres forçadas a trabalhar em bordéis militares japoneses no tempo da ocupação da Coreia, criticaram o governo por ter concordado com o Japão, na segunda-feira 28, em pôr um ponto final na questão, de modo “irreversível”.

"Não se pode confiar no governo", disse uma das mulheres, Lee Yong-su, de 88 anos. Ela declarou que, assim como outras sobreviventes, não foi consultada pelas autoridades que negociaram o acordo. "Vamos continuar a lutar até o final", disse.

Yong-su e os outros manifestantes, entre eles estudantes, parlamentares da oposição e ativistas cívicos, exigem um sincero pedido de desculpas do Japão e a compensação formal para as vítimas. "Nós não fizemos nada de errado", disse Yong-su. "O Japão nos levou a ser 'mulheres de conforto' e ainda tenta negar seu crime."

Pelo acordo feito segunda-feira, o Japão estabelecerá um fundo para ajudar vítimas sobreviventes, e o primeiro-ministro Shinzo Abe renovou um pedido de desculpas. O chanceler do Japão, Fumio Kishida, anunciou após a realização do acordo que Tóquio se comprometeria a fornecer 1 bilhão de ienes para um fundo de compensação. Os Estados Unidos elogiaram o acordo.

Nesta quarta-feira, os manifestantes se espalharam pela rua diante da embaixada do Japão em Seul e se concentraram em torno de uma estátua de bronze de uma adolescente descalça, simbolizando as mulheres obrigadas a se prostituírem nos bordéis japoneses.

Estima-se que cerca de 200 mil mulheres foram forçadas a prestar serviços sexuais a membros das tropas japonesas, principalmente na China e na península de Coreia, começando nos anos 30 do século passado e, sobretudo, nos anos finais da Segunda Guerra.

Seul pediu durante anos a Tóquio que compensasse as vítimas, mas o governo japonês considerava que já o tinha feito com o tratado de normalização de relações de 1965.

Em virtude daquele acordo, o Japão concedeu cerca de US$ 360 milhões ao governo do ditador Park Chung-hee, pai da atual presidente sul-coreana, Park Geun-hye, para indenizar todas as vítimas da colonização e dar por encerrado o assunto. /EFE e REUTERS

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