Sul-coreano tinha passagem pela polícia, diz delegado

O jovem sul coreano Cho Seung-hui, autor do massacre na universidade Virginia Tech que deixou 32 mortos, havia sido acusado de perseguir duas garotas e levado a uma clínica psiquiátrica em 2005 após tentativas de suicídio, mas nunca foi acusado formalmente de nenhum crime, afirmou a polícia nesta quarta-feira, 18.Quanto às reclamações das estudantes, Cho não foi acusado de nenhum crime, disse o chefe de polícia do campus, Wendell Flinchum. Os relatos dizem respeito à mesma época, entre novembro e dezembro de 2005.Nenhuma das estudantes que notificou a polícia sobre o comportamento de Cho estava entre os assassinados no massacre, disse Flinchum, e a polícia não achou nenhuma ligação definitiva entre o atirador e alguma das vítimas.No primeiro caso, autoridades encaminharam o sul-coreano para o sistema de disciplina da universidade. No próximo mês, a segunda ocorrência fez com que autoridades dessa vez se encontrassem com Cho e requisitassem o afastamento imediato do garoto. Horas depois, um amigo de Cho ligou para a polícia do campus para dizer que ele parecia apresentar tendências suicidas, disse Flinchum.Documentos da corte mostram que uma "ordem de detenção temporária" foi feita em nome do garoto no dia 13 de dezembro. Na noite daquele dia, ele foi levado por policiais para o hospital psiquiátrico em Christiansburg.Cho foi hospitalizado durante pouco tempo após alegações de tentativa de suicídio, segundo disse o chefe de polícia do campus nesta manhã. Mas, após um médico reportar que Cho negou ter intenções suicidas, uma corte magistral ordenou o fim do tratamento psicológico, segundo documentos da corte.A ordem diz que Cho "apresenta um perigo iminente para si mesmo como resultado de uma doença mental", mas outro box do texto dizia que a hospitalização involuntária não era necessária.Na última segunda-feira, 16, o estudante, de 23 anos, matou duas pessoas em um dormitório no campus da universidade e depois atirou em mais 30 em uma sala de aula antes de se suicidar. A tragédia já é o maior tiroteio registrado em uma instituição de ensino na história dos EUA.Textos perturbadoresEm 2005, uma professora de Cho disse ter alertado a diretoria da faculdade sobre o comportamento suspeito do aluno, que foi descrito pela chefe do departamento de Inglês, Lucinda Roy, como "problemático e com necessidade de tratamento psicológico urgente". Foi uma outra professora, de redação, que chamou sua atenção pela primeira vez para o comportamento de Cho em 2005, por causa dos temas violentos de seus textos. Ela disse que violência, pedofilia, assassinato e assuntos "muitas vezes macabros" eram recorrentes.Roy disse ter conversado pessoalmente com o aluno algumas vezes, e conta que levou a preocupação à diretoria da universidade, que teria se recusado a tomar providências, sob a alegação de que os alunos têm o direito de escrever o que quiserem por uma questão de liberdade de expressão."As ameaças pareciam estar sob a superfície. Não eram explícitas e essa era a dificuldade da polícia" para atuar, explicou a professora. "Meu argumento era de que ele estava tão perturbado que tínhamos que fazer algo ao respeito", acrescentou.Cho cursava o último ano de filologia inglesa e era um estudante muito inteligente, segundo a professora. No entanto, devido ao conteúdo dos seus textos ela decidiu que ele não deveria participar das turmas com os outros estudantes e começou a dar aulas particulares. "Deixei claro que o que ele escrevia era inaceitável", disse, após revelar que pediu que Cho procurasse ajuda médica ou psiquiátrica.Ian MacFarlen, companheiro de Cho, disse que o estudante escreveu duas obras de teatro "profundamente inquietantes e gráficas" em sua violência. "Eram como um pesadelo. A violência era macabra, distorcida. As armas eram usadas de um modo que ninguém teria imaginado", lembrou.Em uma das obras, Richard McBeef, o personagem fala de matar seu padrasto em uma orgia de sangue.SolitárioSegundo Kenna Quinet, professora de direito penal da India Purdue University, a solidão é característica dos assassinos em massa, homens que tendem a se sentir alienados e ressentidos com a sociedade.Cho era um residente legal nos Estados Unidos. Ele chegou ao país quando tinha 8 anos e viveu a sua infância e adolescência em Centreville, cerca de 40 quilômetros a sudoeste de Washington.Steve Flaherty, da polícia da Virgínia, revelou na terça-feira, 17, que Cho não deixou uma nota explícita sobre suas ações e seu suicídio.No entanto, a rede de televisão ABC News informou que uma nota achada em seu dormitório continha explicações e a frase "Você me obrigaram a fazer isto".O jornal The Chicago Tribune informou que na mesma nota Cho criticava o que chamava de "meninos ricos", "a decadência" e os "charlatões mentirosos" da universidade. Matéria ampliada às 13h40 para acréscimo de informações

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