Sul-coreanos foram excluídos por não ter com que barganhar

Bastidores: Lisandra Paraguassu

A REPÓRTER VIAJOU A SEUL A CONVITE DO , GOVERNO SUL-COREANO, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2012 | 03h02

Principal interessada em ver o inimigo sob controle, a Coreia do Sul ficou de fora de toda a negociação levada a cabo pelos EUA com os norte-coreanos. Ontem, a reação ao anúncio americano foi discreta: "é a abertura de uma primeira porta", disse um membro do Ministério das Relações Exteriores.

O quanto e por quanto tempo essa porta permanecerá aberta é a grande dúvida em Seul. Analistas sul-coreanos dizem que essa seria apenas uma parte do programa nuclear norte coreano. Pyongyang teria como base de seu arsenal combustível feito com plutônio enriquecido, suficiente para seis a oito bombas atômicas.

O acordo causou surpresa em quem acompanha de perto a complicada situação entre as duas Coreias. A ascensão ao poder de Kim Jong-un levava a crer em uma escalada de provocações como uma forma de autoafirmação antes de novas conversas. Nas últimas semanas, Kim reclamou de exercícios militares feitos entre os sul-coreanos e tropas americanas e chamou de "provocação" a Cúpula sobre Segurança Nuclear que ocorre em Seul no fim de março.

Os palpites para essa nova posição passam pela possibilidade de a crise alimentar no país ser mais grave do que preveem observadores - daí a necessidade das 240 mil toneladas de comida prometidas pelos americanos - e pela ideia de que Kim pode ser mais liberal do que seu pai, por ter estudado na Suíça. Seul quer levar a conversa ao chamado Grupo dos Seis - além de EUA e das Coreias, Japão, China e Rússia. Mas o governo sul-coreano não tem nada com que barganhar. A política de aproximação, usada pelo governo anterior, do liberal Partido da Democracia Unida, não havia levado a grandes concessões de Pyongyang, mas o endurecimento do atual governo, do conservador Lee Myung-bak, afastou a Coreia do Sul de qualquer negociação.

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