Sul-coreanos protestam contra resposta do país a ataque

Civis e militares veteranos sul-coreanos protestaram ontem nas ruas de Seul para manifestar seu descontentamento com a resposta de seu país ao ataque realizado pela Coreia do Norte contra a ilha de Yeongpyeong na terça-feira, no qual quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE, Agência Estado

27 de novembro de 2010 | 13h21

As duas vítimas militares foram enterradas em uma cerimônia transmitida em rede nacional de televisão, na qual o comandante dos fuzileiros navais, Yoo Nak-jun, prometeu vingança. "Nós vamos dar uma resposta à Coreia do Norte 100 vezes, 1.000 vezes maior pelas mortes e ferimentos atrozes de nossos soldados", declarou Yoo no tributo aos dois marinheiros, que tinham 20 e 22 anos de idade.

A manifestação dos militares reuniu cerca de 1.000 pessoas, que queimaram uma bandeira norte-coreana e imagens do ditador Kim Jong-il. "Nós não podemos mais tolerar as provocações bárbaras da Coreia do Norte", disse à TV Al Jazeera o soldado reformado Ahan Seung-choon.

O grupo de civis se reuniu nos arredores do Ministério da Defesa, para exigir que o governo responda aos ataques do norte.

O descontentamento com a reação sul-coreana levou à queda do ministro da Defesa na semana passada e se reflete na cobertura realizada pela imprensa local. Um dos mais importantes jornais do país, Chosun Ilbo, publicou editorial na sexta-feira com o título "Coreia do Sul deve parar de agir como um tigre de papel".

O editorial ressalta que o Exército sul-coreano prometeu várias vezes pagar a Coreia do Norte em "dobro ou triplo" por suas "provocações", mas nunca cumpriu as ameaças. "Kim Jong-il e seus comparsas devem pensar que a Coreia do Norte é um tigre de papel."

A tensão na região poderá se agravar ainda mais quando a Coreia do Sul e os Estados Unidos derem início a quatro dias de exercícios militares na faixa marítima que separa a península da China.

Principal aliado da Coreia do Norte, Pequim está sob pressão internacional para usar sua influência sobre o regime de Pyongyang para conter a escalada de violência na região. Mas dentro do país, grande parte da imprensa, da opinião pública e de analistas acredita que a responsabilidade pelo início do confronto é da Coreia do Sul.

"Seul ignorou os apelos da Coreia do Norte e realizou disparos que atingiram águas territoriais que os norte-coreanos consideram como suas. A região da fronteira marítima é uma área sob disputa, na qual nenhum dos dois lados deveria realizar qualquer ato hostil", afirmou Shen Dingli, professor de Relações Internacionais da Universidade de Fudan, com sede em Xangai.

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