Sul da África rejeita novo líder de Madagáscar

Os países do sul da África anunciaram hoje que não darão legitimidade ao novo líder de Madagáscar, um político que derrubou, com o apoio do Exército, um presidente democraticamente eleito. Reunida na Suazilândia, a comissão executiva da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral pediu ainda que a União Africana (UA) e a comunidade internacional não reconheçam Andry Rajoelina como presidente de Madagáscar e exigiu "o retorno das ordens constitucional e democrática no menor prazo possível". Madagáscar faz parte do bloco regional.

AE-AP, Agencia Estado

19 de março de 2009 | 16h31

O bloco do sul da África afirmou que, caso Rajoelina se recuse a entregar o poder, recomendará sanções à ilha do Oceano Índico. O ministro das Relações Exteriores da Zâmbia, Kabinga Pande, disse que a queda do presidente eleito é um revés que ameaça a democracia e a norma constitucional no continente e deveria ser evitado.

O comitê da União Africana deve se reunir na sexta-feira para examinar se os eventos em Madagáscar constituem de fato um golpe, o que levaria à automática suspensão do país do bloco.

Rajoelina acusava o rival de desviar dinheiro público e minar a democracia. O até então opositor afirma que sua ascensão foi uma vitória da "verdadeira democracia" sobre uma ditadura. Além disso, prometeu eleições em dois anos.

A França, ex-metrópole de Madagáscar e atualmente o principal doador do país, afirmou que o prazo estipulado para novas eleições é "muito longo".

Depois de meses de protestos de rua liderados por Rajoelina, o presidente Marc Ravalomanana renunciou ao cargo anteontem e entregou o poder aos militares. Horas depois, o Exército anunciou Rajoelina como novo presidente madagascarense. Alguns dos protestos contra o governo levaram a confrontos mortais no últimos meses. Em fevereiro, morreram pelo menos 25 pessoas em uma manifestação, o que custou a Ravalomanana parte de seu apoio entre os militares. O motim ganhou apoio popular com o tempo.

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