Suleiman, ex-vice de Mubarak, tenta ser candidato

Omar Suleiman, ex-chefe da espionagem do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, disse nesta quinta-feira que decidiu se candidatar a presidente para evitar que os islamitas tomem o poder e transformem o Egito em um "Estado religioso". Suleiman, de 75 anos, alertou que o Egito será isolado no cenário internacional se algum candidato islamita ganhar as eleições. O sufrágio presidencial egípcio ocorrerá em 23 e 24 de maio e representará o último passo da turbulenta transição do país de um regime autoritário para a democracia. A junta militar que governa o país prometeu passar os poderes para um governo civil até 1º de julho. A candidatura de Suleiman, contudo, ainda não está assegurada. Nesta quinta-feira, o Parlamento do Egito, agora controlado pelos islamitas, aprovou uma lei que cassa os direitos políticos dos ministros e funcionários graduados que serviram o regime de Mubarak durante seus dez últimos anos, entre 2001 e 2011.

AE, Agência Estado

12 de abril de 2012 | 14h54

Suleiman fez os comentários ao jornal El-Fagr, que publicou hoje uma matéria. Além de chefe da espionagem, Suleiman foi vice-presidente de Mubarak. Se a lei aprovada hoje pela Assembleia for ratificada pela junta militar, ele não poderá concorrer à presidência.

"Se o Egito cair sob o controle dos islamitas, sofrerá com o isolamento e seu povo sofrerá com a inabilidade que eles têm para se comunicar com os outros" disse Suleiman. Partidários de Suleiman, que sumiu de cena após a queda de Mubarak, em fevereiro do ano passado, disseram ter coletado 100 mil assinaturas para validar a candidatura do ex-chefe da espionagem - três vezes mais que o requerido pela autoridade eleitoral. Suleiman considerou isso um milagre. "Eu não sou um dervixe, mas o que aconteceu foi verdadeiramente um milagre", afirmou.

Durante o governo Mubarak, que durou quase 30 anos, a Irmandade Muçulmana sofreu uma repressão sistemática. Milhares dos seus partidários foram presos, torturados e em alguns casos mortos. O grupo precisou operar na clandestinidade durante grande parte do tempo. Mesmo com a aprovação da cassação dos direitos políticos dos ex-ministros do regime Mubarak, o ministro da Justiça, Mohammed Attiyah, disse que ninguém deveria ter os direitos políticos cassados no país.

Críticos afirmam que se Suleiman voltar ao poder, isso significaria de certa forma a volta da repressão política ao Egito (ele chefiou a espionagem durante décadas) e também a volta da influência de Israel nos assuntos egípcios. Suleiman visitou Israel várias vezes e foi o elo de ligação entre o Egito, Israel e grupos rivais palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Os islamitas temem Suleiman. "Estamos agindo em legítima defesa, defendendo o Egito e a nós mesmos. Se Omar Suleiman voltar ao palácio, isso significará também a volta de Mubarak. Todos nós seremos presos e esses serão os sortudos, porque coisa pior acontecerá com quem não for preso" disse o deputado islamita independente Mahmoud Khodeiri.

Outros candidatos a presidente, contudo, também enfrentam acusações judiciais, mesmo os islamitas. Khairat El-Shater, líder da Irmandade Muçulmana que tenta formar uma coalizão eleitoral com os salafistas, um grupo ultraconservador, foi acusado de não poder concorrer devido ao tempo que ficou na prisão durante o governo de Mubarak. A junta militar perdoou El-Shtater, mas seus detratores afirmam que mais tempo deveria se passar antes que ele possa concorrer à presidência.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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