Sundaravej é nomeado novamente premiê da Tailândia

Ele reassume o cargo dois dias depois de ser suspenso pelo Tribunal Constitucional

Efe,

11 de setembro de 2008 | 04h20

O partido que lidera a coalizão governamental na Tailândia designou nesta quinta-feira, 11, de novo para o posto de primeiro-ministro Samak Sundaravej, dois dias depois que este foi cassado pelo Tribunal Constitucional por ir contra a Carta Magna. Assim anunciou Kuthep Saikrachang, porta-voz do Partido do Poder do Povo (PPP), após a reunião mantida com representantes das outras cinco forças políticas que fazem parte da coalizão do Governo interino. Saikrachang explicou que uma maioria dos deputados do PPP dará seu respaldo a Sundaravej, "que é o líder, por isso que é a melhor opção", embora pelo menos um dos sócios membros da coalizão não deixou claro se este aceita ou não sua designação. Inicialmente, o PPP queria voltar a nomeá-lo, mas nas últimas 24 horas parecia ter cedido às pressões dos outros partidos para designar a um substituto. Entre os candidaturas propostos estavam o vice-primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, atual primeiro-ministro interino, e do ministro da Justiça, Sompong Amornviwat. No entanto, o PPP, que dispõe de uma maioria de 223 dos 500 cadeiras do Parlamento, optou por defender seu líder, que foi tirado do cargo por incompatibilidade de funções ao ter apresentado um programa de culinária na televisão quando já era chefe do Executivo. O partido, vencedor nas eleições do dezembro passado, é formado pelos seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto por um golpe de Estado em 2006 e que foi consultado sobre a nomeação de Sundaravej. Por sua parte, o opositor Partido Democrata proporá liderar um governo de união nacional durante a votação de sexta-feira na Câmara baixa. Há mais de duas semanas, cerca de 5.000 pessoas ocupam o palácio governamental para pedir a renúncia do primeiro-ministro, a quem acusam de corrupto, desleal à monarquia e de ser uma marionete de Shinawatra. Com o objetivo de despejar os manifestantes, Sundaravej declarou no dia 1º de setembro o estado de exceção, mas até o momento os soldados se negam a tirá-los à força, e o chefe do Exército, general Anupong Paochinda, exigiu nesta quinta-feira o levantamento da medida de emergência. Apoiada pela elite conservadora e alguns militares, a oposição explora a propaganda monarquista e nacionalista para ganhar a simpatia do povo e pretende que o rei designe um gabinete de transição, como aconteceu em outros momentos de grave instabilidade política na Tailândia.

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