Sunitas avançam no Iraque e ONU fala em centenas de mortos

Milícias do Isil ocupam mais cidades nas províncias de Dyala e Kirkuk; clérigo xiita defende guerra santa contra radicais rivais

O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2014 | 09h09

BAGDÁ  - Em meio ao avanço de milícias sunitas no Iraque, o número de pessoas mortas depois que militantes sunitas islamitas invadiram a cidade de Mossul no começo da semana pode chegar a centenas, disse nesta sexta-feira, 13, o porta-voz da área de direitos humanos da ONU, Rupert Colville. Clérigos xiitas defenderam a jihad contra o avanço da seita rival no país. 

Os insurgentes, liderados pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (IsiL), avançaram hoje nas províncias de Kirkuk e Diyala. O Isil afirmou que tomou o controle das zonas de Al-Huaiya, Al-Riad, Al-Rashad e Suleiman Bek, na província petrolífera de Kirkuk, onde ocuparam também áreas em Al Tuz e Daquq.

Uma fonte do Ministério do Interior, que pediu o anonimato, desmentiu essas informações e explicou para a Agência Efe que essas cidades estão sob controle de tropas curdas ("peshmergas"), depois da retirada das forças iraquianas.

Por outro lado, uma fonte de segurança informou que um soldado morreu e outros cinco ficaram feridos em um ataque do Isis contra uma unidade do Exército na localidade de Shaqraq, a 40 quilômetros ao nordeste de Baquba, capital da província de Diyala, no leste do país.

Ele afirmou que seu gabinete tinha informações de que as matanças incluem a execução de 17 civis que trabalhavam para a polícia e um empregado do Judiciário no centro de Mossul.

"Nós recebemos ainda informações indicando que as forças do governo também cometeram excessos, em especial o bombardeio de áreas civis entre 6 e 8 de junho", disse ele. "Há alegações de que atée 30 civis podem ter sido mortos."

Jihad. O máximo clérigo xiita iraquiano, aiatolá Ali al Sistani, convocou a população a iniciar uma guerra santa (jihad) contra os insurgentes sunitas liderados pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

"Os cidadãos que possam pegar em armas para lutar contra os terroristas têm que se apresentar como voluntários no Exército para realizar este objetivo sagrado", disse um porta-voz do aiatolá durante o sermão da oração muçulmana de meio-dia da sexta-feira.

O porta-voz afirmou que a responsabilidade de repelir os insurgentes e de proteger o Iraque e seus lugares sagrados é de todos os iraquianos e não de apenas uma seita. "O Iraque e o povo iraquiano enfrentam um desafio grande e um perigo tremendo, e os terroristas não limitam seu ataque contra algumas províncias mas contra todo o Iraque", acrescentou.

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