Sunitas buscam lugar no ''novo Iraque''

No Triângulo Sunita, população se vê no fogo cruzado entre a ocupação americana, a Al-Qaeda e o apoio iraniano à maioria xiita

Lourival Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

A invasão americana produziu no Iraque muitas ironias. A maior delas, e a mais conhecida, é que, com a derrubada do ditador sunita Saddam Hussein, os americanos abriram o caminho para os iranianos exercerem sua influência sobre o vizinho de maioria xiita, a mesma seita predominante no Irã. Mas há outra, vinculada a essa, e potencialmente desestabilizadora: a dificuldade dos sunitas de se ajustar à nova "democracia" iraquiana.

Historicamente, o Iraque era dominado pela minoria sunita. A situação era contraditória, tanto do ponto de vista demográfico quanto econômico. A riqueza do petróleo está concentrada no sul, de maioria xiita, e no norte, habitado pela minoria curda.

Saddam, assim como outros governantes antes dele, reprimia xiitas e curdos e distribuía as riquezas do petróleo entre os líderes tribais, em troca de apoio político. Bem ou mal, funcionou durante 24 anos (1979-2003).

Com a invasão americana e a imposição da escolha do governo pela maioria, os sunitas viram-se privados de privilégios políticos e econômicos. Sua reação assumiu três formas: a insurgência contra a ocupação, a fixação da Al-Qaeda no Iraque e a atuação clandestina do Partido Baath, de Saddam, banido pelos EUA.

Essas três forças concentram-se no chamado Triângulo Sunita, formado pelas províncias de Anbar, a oeste, e de Diyala e Salah el-Din, ao norte de Bagdá. O Estado percorreu esse triângulo, e sentiu o pulso de cada uma dessas forças. As ironias e contradições da ocupação proliferam nessa região. Os sunitas estão entre a cruz e a espada: de um lado os EUA, cuja invasão destruiu seus privilégios; de outro, o Irã, que apoia a maioria xiita no país.

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