Sunitas deixam governo Maliki

Saída de 6 ministros pode minar esforço de estabilização

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2002 | 00h00

Bagdá - O principal partido sunita abandonou ontem o gabinete iraquiano, provocando a maior crise no governo em um dia em que três atentados suicidas em Bagdá deixaram 70 mortos. A Frente de Acordo sunita anunciou que seus cinco ministros e seu vice-ministro estavam deixando o governo de união do primeiro-ministro iraquiano, o xiita Nuri al-Maliki. "Esta é provavelmente a mais séria crise política desde que aprovamos a Constituição. Se não for resolvida, as conseqüências serão graves", disse o vice-primeiro-ministro curdo Barhim Salih. A saída do partido sunita pode tirar o status de "união nacional" do governo e minar os esforços de Maliki para unir as facções rivais e aprovar leis de reconciliação, que os EUA consideram cruciais para a estabilização do país.Segundo Rafaa al-Issawi, membro da Frente de Acordo, o partido decidiu sair do governo por causa do silêncio de Maliki sobre uma série de exigências apresentadas pela organização na semana passada, quando deu ao premiê sete dias de prazo para atendê-las. As demandas incluem o perdão a detidos por questão de segurança que não foram acusados de nenhum delito específico; a abolição das milícias; e a participação, no setor de segurança, de todos os grupos representados na coalizão. "O governo continua com sua arrogância e rejeita as reformas necessárias para salvar o Iraque", disse Al-Issawi.A Frente de Acordo ocupa 44 das 275 cadeiras do Parlamento. Sua saída do governo de união - formado há 14 meses - é a segunda de uma facção sectária da coalizão de Maliki. Cinco ministros ligados ao clérigo xiita Muqtada al-Sadr abandonaram o governo em abril, em protesto pela resistência de Maliki em anunciar um cronograma para a saída das forças americanas no Iraque.ATENTADOSPelo menos 142 iraquianos morreram ou foram encontrados mortos ontem no Iraque, entre eles 70 em três atentados suicidas em Bagdá. O mês de julho foi considerado o segundo mais mortífero do ano para os iraquianos, com 1.653 civis mortos, segundo um relatório divulgado ontem pelo governo.No pior dos atentados de ontem, pelo menos 50 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas quando um suicida lançou um caminhão-tanque cheio de explosivos contra veículos que estavam em um posto de gasolina no bairro de Al-Mansur, de maioria sunita. Horas antes, a explosão de um carro-bomba matou 17 pessoas diante de uma sorveteria em uma movimentada rua do distrito de Karrada, centro de Bagdá. Outro atentado matou três pessoas no bairro de Doura, sul da capital. O Exército americano disse que encontrou uma vala comum na Província de Diyala, a noroeste de Bagdá, com 17 corpos de sunitas, entre eles mulheres, crianças e idosos. Os EUA também anunciaram a morte de quatro de seus soldados e de um militar britânico.

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