Sunitas incitam à desobediência civil no Iraque

A Organização de Ulemás do Iraque, a mais prestigiosa instituição religiosa sunita do país, clamou nesta sexta-feira por "desobediência civil" para que o Governo revogue a detenção do líder do grupo, acusado de incitar à violência sectária. O porta-voz da organização, xeque Abdel Salam al-Qubaisi, fez este chamado nesta sexta-feira, após o ministro do Interior iraquiano, Jawad al-Bolani, ter anunciado que ordenou a detenção de Dari por incitar à violência sectária no Iraque. Qubaisi negou a acusação, ao ressaltar que "todo mundo sabe que Dari tenta acalmar a situação no Iraque e trabalha para manter a unidade do país". O porta-voz advertiu das "perigosas conseqüências dessa decisão governamental, já que levará o povo iraquiano à guerra civil, porque é uma medida ilógica". A Frente do Consenso Iraquiano, coalizão de três partidos árabes sunitas com maioria no Parlamento, se expressou em termos similares. "Este assunto terá efeitos negativos no povo e no Governo iraquianos. O Executivo está em um beco sem saída porque tem como alvo um dos símbolos do Iraque (Dari), que goza de uma ampla popularidade dentro e fora do país", afirmou o porta-voz da frente, Salim Abdullah. Bolani afirmou que o Governo "perseguirá Dari até que seja detido, por isso os países que assinaram com o Iraque protocolos de cooperação de segurança devem ajudar em sua detenção". O ministro afirmou que o Governo "tem provas e documentos que confirmam que o líder da Organização de Ulemás do Iraque está envolvido no financiamento e divulgação do sectarismo que contribuiu para desestabilizar a situação do país". Dari, que está na Jordânia, minimizou a importância da medida em entrevista à rede de televisão catariana Al Jazira e qualificou a ordem de "ilegal, antipatriota e ilegítima". "Esta disposição, débil e frágil, indica que os que a ordenaram temem pelo futuro da situação que o país vive", afirmou Dari, que ressaltou que voltará ao Iraque, no momento adequado,"apesar dos que se opõem" a seu retorno. Além disso, Dari afirmou que a instituição "só considerou legítima a resistência que luta contra a ocupação americana".

Agencia Estado,

17 Novembro 2006 | 14h59

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