Supensão do Congresso divide equatorianos

Governistas defendem a medida que, para os opositores, instaurou uma ditadura no país

Efe, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

A decisão da Assembléia Constituinte do Equador de suspender os trabalhos do Congresso, tomada na quinta-feira, desatou uma ampla discussão no país sobre a legalidade da medida. Enquanto governistas defendem o recesso - que deve durar até agosto de 2008 -, analistas e políticos opositores do governo de Rafael Correa afirmaram que a ação instaurou uma ditadura no país.Fernando Cordero, vice-presidente da Assembléia e membro do partido Aliança País, afirmou que "a decisão popular foi aplicada integralmente e isso se chama, esteja onde estiver, soberania". No Equador, "estamos fortalecendo a democracia com mais democracia", disse.Cordero afirmou ainda que não está preocupado com pressões externas. "A Constituinte não deve temer nenhuma ação de organismos internacionais, porque não fez nada que possa ser criticado."Já o advogado constitucionalista Antonio Rodríguez critica a medida: "Estamos em uma ditadura. Não há Constituição. O que prevalece é única e exclusivamente a vontade soberana dos 80 deputados da Aliança País." Para ele, chega a ser "inaceitável falar de divisão de poderes, democracia, respeito às normas constitucionais e legais e ao estatuto." O analista político Andrés Crespo discorda de Rodríguez e afirma que não há nada de ditatorial na atual situação do país. "Não é uma ditadura, mas sim uma situação que nasce por fórceps", declarou Crespo. Ele acrescentou que ninguém deveria surpreender-se com os últimos acontecimentos, uma vez que faziam parte das promessas feitas por Correa durante sua campanha presidencial. "Não está acontecendo nada que o presidente não tenha anunciado."?DECISÃO EXTREMA?As críticas à suspensão do Congresso não vêm apenas dos especialistas, mas também da classe política. O deputado Fausto Lupera - do partido Sociedade Patriótica, do presidente destituído Lucio Gutiérrez - afirmou que o país vive hoje "um estado de fato e não de direito". Para ele, as minorias não foram respeitadas pela Constituinte. Diego Ordóñez, deputado da oposição, diz que a decisão da Constituinte foi extrema. "Ninguém esperava uma mudança com tal nível de violência e agressividade."

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