Sylvain Cherkaoui/AP
Sylvain Cherkaoui/AP

Super-heroína, murais e dança: a comunicação em tempos de coronavírus

Do Irã ao Vietnã, do Senegal à Guatemala, governos estão usando música, desenhos animados e até grafite para ensinar população a combater a covid-19

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 04h00

Como convencer as pessoas a mudarem seu comportamento para combater a disseminação da covid-19?

Do Irã ao Vietnã, do Senegal à Guatemala, governos estão usando música, desenhos animados e até grafite para ensinar a população a combater o coronavírus.

O México tem uma calorosa cultura latina – que inclui, é claro, beijos e abraços. Por isso, o governo precisava de reforços: era hora de um super-herói. Ou melhor, de uma super-heroína.

Conheça Susana Distância. A heroína dos desenhos animados agora aparece nas rádios mexicanas, nos anúncios de TV e, é claro, na Internet para ensinar as crianças a combater o 'malvado coronavírus'. Imagine seu próprio super-poder, ela diz: criando uma bolha invisível ao seu redor, mantendo todos os outros a pelo menos 1,5 metros de distância.

No Vietnã, as autoridades de saúde trabalharam com o compositor Khac Hun. O objetivo era criar um hit pop que desse uma lição sobre distanciamento e higiene. "Lave as mãos. Esfregue, esfregue, esfregue uniformemente", diz uma das estrofes. A música se tornou viral e inspirou um desafio de dança no popular aplicativo TikTok

Em Bangkok, capital da Tailândia, por sua vez, a aposta foi a dança. Nesse vídeo, visto mais de cem mil vezes online nos primeiros dias, uma equipe do Serviço de Trens Bancários dançam contra o coronavírus.

Na capital do Senegal, Dakar, murais de neon colorem as onipresentes paredes de concreto. Agora, os grafiteiros fizeram parceria com uma universidade para produzir mensagens com informações sobre saúde pública. "O visual pode ser mais forte que as palavras", diz Serigne Mansour Fall, conhecido como Mad Zoo. Neste país africano, nem todo mundo tem acesso a um rádio, muito menos à TV. Alguns têm dificuldades com a leitura. "Muitos não entendem a seriedade da situação", diz Fall. "Então estamos tentando criar mensagens que as pessoas entendam".

Na Uganda, a aposta foi no afrobeat. Os cantores ugandenses Bobi Wine e Nubian Li se uniram para dar um alerta sobre a pandemia.

Mas não são apenas os governos que buscam formas mais amigáveis de conversar sobre o coronavírus. O comediante iraniano Danial Kheirikhah, por exemplo, entrou em cena com a performance de lavagem das mãos mais elegante de todos os tempos.

Em comum, os anúncios estão tentando passar mensagens de uma maneira que os anúncios tradicionais do governo talvez não consigam. "A intenção é criar uma forma de comunicação direta, amigável, fora dos parâmetros tradicionais", diz Jesús Ramírez, porta-voz do governo mexicano. "Em uma situação de emergência que causa pânico, o que é melhor do que alguém amigável?"/THE WASHINGTON POST

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