Scott McIntyre/The New York Times
Scott McIntyre/The New York Times

Superaquecimento em máquinas de recontagem afeta definição de eleição na Flórida

Falha nos equipamentos em razão do uso ininterrupto fez com que máquinas apresentassem resultados inconsistentes após a reavaliação de 174 mil cédulas no condado de Palm Beach; ações na Justiça pedem ampliação do prazo para checar os votos

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2018 | 14h57

FORT LAUDERDALE, EUA - A recontagem dos votos no Estado americano da Flórida pode não ser concluída dentro do prazo legal em razão de um problema técnico nas máquinas usadas para essa tarefa: os aparelhos que processam as 174 mil cédulas da votação antecipada no condado de Palm Beach superaqueceram em razão do uso ininterrupto e passaram a apresentar resultados inconsistentes.

E esta é apenas a mais recente complicação na recontagem - obrigatória por lei - dos votos na Flórida, uma questão que tem atraído atenção em todo o país e já foi foco de uma série de tuítes do presidente Donald Trump. Em outra frente, advogados de candidatos democratas travam batalhas judiciais em Tribunais sobre a votação no Estado.

Apesar de um técnico ter sido enviado para corrigir o problema nas máquinas, a supervisora da eleição em Palm Beach, Susan Bucher, disse à emissora WPTV "não ter muitas garantias" de que o superaquecimento não se repetirá e de que a recontagem terminará dentro do prazo estipulado.

Susan explicou que as máquinas de recontagem tem cerca de 11 anos e começaram a apresentar o problema na segunda-feira, quando as cédulas de votação antecipada estavam sendo processadas para a disputa ao Senado. "Elas começaram a superaquecer e, como resultado, os registros não foram computados corretamente", explicou. Na terça-feira, quando foram somados os totais de votos, eles não condiziam com os dados já existentes.

Os funcionários do departamento de votação trabalham 24 horas por dia, mas as máquinas só podem recontar os votos para uma disputa por vez - na Flórida, uma cadeira para o Senado e o governo do Estado ainda estão indefinidos. Por isso, Susan já disse que não conseguirá enviar o resultado final até quinta-feira, o prazo máximo legal para a conclusão da recontagem.

Batalha em outras frentes

Advogados de candidatos democratas planejam pedir a um juiz federal ainda nesta quarta que desconsidere uma lei estadual que determina que os votos enviados pelo correio sejam descartados se a assinatura no envelope não corresponder com a assinatura disponível nos registros das autoridades eleitorais.

Na terça-feira, Trump pediu que o senador democrata Bill Nelson admita que perdeu a disputa pela reeleição para o governador republicano Rick Scott. Trump sugeriu, mais uma vez sem evidências, que as autoridades em dois importantes municípios do sul da Flórida estão tentando fraudar a eleição.

"Quando Bill Nelson vai conceder (a derrota) na Flórida?", escreveu Trump em sua conta na rede social. "Os personagens que estão disputando Broward e Palm Beach não conseguirão 'encontrar' votos suficientes, muita atenção neles agora!"

Uma porta-voz da Casa Branca disse que o presidente "obviamente tem sua opinião" sobre as recontagens. "Tem sido incrivelmente frustrante acompanhá-las", disse Mercedes Schlapp.

Mas enquanto a recontagem continua, já existem quatro processos pendentes em um tribunal federal de Tallahassee que tentam descartar as regras de apuração de votos ou estender os prazos para recontagem.

Marc Elias, advogado da campanha de Nelson, argumentou que diante da iminente batalha judicial "todos devem ser capazes de concordar que o objetivo é uma contagem legal e precisa". Os republicanos responderam argumentando que os democratas querem distorcer ou alterar as leis eleitorais existentes para alterar o resultado das urnas.

"Temos que manter a pressão sobre essas pessoas para garantir que elas cumpram a lei", disse o deputado republicano Francis Rooney em uma atualização da recontagem organizada pela campanha de Scott.

O líder da minoria no Senado Chuck Schumer acusou Trump de tentar intimidar os funcionários eleitorais da Flórida para que não façam seu trabalho.

"Está simplesmente errado. (Os comentários de Trump) são antiamericanos", disse Schumer. "Se realmente quer uma eleição honesta e justa, o presidente Trump vai parar de intimidar, assediar e mentir sobre a votação na Flórida, e deixar a eleição prosseguir sem que suas ações influenciem o equilibro da Justiça."

O que diz a lei

A lei da Flórida exige a recontagem automatizada em disputadas nas quais a margem de diferença seja inferior a 0,5 ponto porcentual. Na corrida ao Senado, Scott lidera com 0,14 ponto porcentual. Na disputa pelo governo estadual, o deputado Ron DeSantis está à frente do prefeito de Tallahassee, Andrew Gillum, por 0,41 ponto porcentual.

Quando o processo automatizado for concluído, uma recontagem manual deverá ser feita se alguma das disputas tiver uma diferença de 0,25 ponto porcentual ou menos, o que significa que pode demorar ainda mais para que a revisão da eleição ao Senado seja concluída se a diferença permanecer no patamar atual.

Se a disputa pela vaga no Senado for recontada manualmente, o prazo para os condados terminarem esse procedimento é domingo, 18. Mas duas das quatro ações judiciais pendentes pedem que um juiz federal adie esse prazo para que todos os condados possam terminar o processo de avaliação das cédulas.

Elias argumentou que não há necessidade de pressa nas recontagens, já que o vencedor da disputa entre Nelson e Scott só tomará posse em janeiro. / AP

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