'Superbactéria' é descoberta em pacientes na Austrália

O professor Peter Collignon, chefe do departamento de doenças infecciosas do Hospital de Camberra, na Austrália, disse nesta sexta-feira que três australianos que viajaram para a Índia foram infectados com a "superbactéria" diagnosticada recentemente na Grã-Bretanha. Essa "superbactéria" possui um gene diferenciado, descoberto em 2009 em um paciente sueco internado na Índia. O gene é produtor de uma enzima capaz de tornar bactérias comuns em organismos resistentes aos antibióticos conhecidos.

AE, Agência Estado

13 de agosto de 2010 | 15h17

Segundo Collignon, que também participa do painel da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre antibióticos, disse que os casos registrados agora na Austrália - dentre eles o de um paciente que fez uma cirurgia plástica em Mumbai, na Índia - são apenas a "ponta do iceberg". "Eles podem ser muito mais, porque é difícil detectar este gene em particular, a menos que você faça testes sofisticados", disse Collignon.

Collignon disse que tratou de três casos em Canberra, um em New South Wales e outro em Queensland. "Nós encontramos esta bactéria multirresistente e intratável na urina dos pacientes, felizmente sem causar muitos problemas. Mas será um grande problema se ela se disseminar", alertou. "O germe é intratável; não há drogas que possam combatê-lo", afirmou o médico.

Origens

Collignon disse que um paciente contraiu a bactéria na unidade de terapia intensiva de um hospital indiano depois de problemas numa cirurgia plástica. Mas afirmou que um outro contraiu a bactéria na comunidade, o que indica a extensão do problema. "Provavelmente, ela está matando muitas pessoas, mas as mortes estão acontecendo no mundo em desenvolvimento e não há como contar os casos."

O professor responsabilizou o "abuso" de antibióticos na medicina e também na agricultura pelo surgimento da superbactéria, dizendo que alguns países usaram esse tipo de medicamento em frangos com a bactéria desenvolvida, e que estes animais foram posteriormente ingeridos por humanos. O professor pediu a realização de uma campanha mundial sobre o uso desses medicamentos e uma campanha sobre higiene para evitar que as bactérias se disseminem. As informações são da Dow Jones0.

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