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Superlotação no Everest causa morte de 10 alpinistas

Governo liberou um número recorde de permissões de escalada, o que provocou engarrafamentos que fizeram as pessoas permanecerem mais tempo sujeitas a condições extremas

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 19h21
Atualizado 25 de maio de 2019 | 04h27

KATMANDU - Autoridades anunciaram na madrugada deste sábado, 25, a morte de mais dois alpinistas, um britânico e um irlandês, nas últimas 48 horas no Everest, elevando para dez o número de mortos na maior montanha do planeta nesta temporada. 

Na sexta, 24, as autoridades locais já haviam divulgado a morte de outros quatro alpinistas na montanha. O grande fluxo, resultado do número recorde de permissões de escalada entre o fim de abril e o mês de maio (em que as condições no local são menos extremas), cria perigosos "engarrafamentos humanos" na chamada "zona da morte".

Cerca de 550 alpinistas já alcançaram o topo do Everest nesta temporada. Dois indianos, um austríaco e um nepalês morreram na montanha nas últimas 48 horas. A indiana Kalpana Das, de 52 anos, que chegou ao ponto mais alto, morreu ontem à tarde durante a descida. Outro indiano, Nihal Bagwan, de 27 anos, também morreu ao retornar do cume.

"Ele ficou bloqueado no engarrafamento durante mais de 12 horas e estava esgotado. Os guias sherpa trouxeram-no para o campo 4 e ele morreu no local", relatou Keshav Paudel, da agência Peak Promotion.

No lado tibetano da montanha, menos movimentado do que o lado nepalês, um alpinista austríaco de 65 anos não resisitiu. Um guia nepalês de 33 anos morreu em um acampamento-base depois de ficar doente no campo 3, a 7.158 metros de altitude.

​Engarrafamento humano

Fotos impressionantes divulgadas nos últimos dias mostram uma longa fila de alpinistas, muito próximos uns dos outros, arrastando suas botas de escalada na área entre o cume e o desfiladeiro sul, onde fica o último acampamento na encosta do Nepal. Analistas afirmam que o engarrafamento é provocado pela proliferação de permissões de escalada, assim como pelo reduzido número de "janelas" meteorológicas adequadas para chegar ao topo. Assim, todas as expedições iniciam o ataque final ao Everest nos mesmos dias.

Naquela altura extrema, o oxigênio é mais escasso na atmosfera, e os alpinistas precisam recorrer a garrafas de oxigênio para alcançar o topo. Uma altitude de 8.000 metros acima do nível do mar é considerada a "zona da morte".

"Permanecer muito tempo na zona da morte aumenta os riscos de congelamento, de sofrer o mal da altitude, ou mesmo de morte", explica Ang Tsering, ex-presidente da Associação de Alpinistas do Nepal.

Nos dias anteriores, outros dois alpinistas indianos e um americano morreram no Everest. Um montanhista irlandês também morreu depois de escorregar e cair de uma área a 8.300 metros de altitude. O corpo não foi encontrado.

Everest no radar

No ano passado, foram registradas cinco mortes na temporada de escalada do Everest.

Desde que as autoridades nepalesas liberaram a escalada no Monte Everest nos anos 90, as expedições comerciais aumentaram, assim como o número de alpinistas. Este ano, o Nepal concedeu para a temporada de primavera (hemisfério norte) o recorde de 381 permissões, ao preço de US$ 11.000 por pessoa, de acordo com os últimos dados disponíveis.

Cada titular de uma permissão é acompanhado por um guia, o que significa que mais de 750 pessoas estão na rota para a escalada. Ao menos 140 receberam permissões para escalar o Everest a partir do flanco norte, no Tibete.

O topo do Everest foi alcançado pela primeira vez em 1953 pelo neozelandês Edmund Hillary e pelo nepalês Tenzing Norgay. / AFP

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