Jeff J Mitchell/PA via AP
Jeff J Mitchell/PA via AP

'Superquinta' eleitoral no Reino Unido define futuro dos independentistas escoceses

Por causa da pandemia, eleições regionais de Escócia, País de Gales e Inglaterra acontecem todos nesta quinta-feira, 6; Partido Nacionalista Escocês pretende obter forte apoio para realizar referendo separatista

Anna Cuenca, AFP, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2021 | 12h03

LONDRES - Os britânicos comparecem às urnas nesta quinta-feira, 6, para eleições complexas, as primeiras depois do Brexit e do início da pandemia de covid-19. Os pleitos também são consideradas um teste para a unidade do país, caso os independentistas escoceses consigam consolidar seu poder regional.

Em um dia chamado de "superquinta" pela grande quantidade de eleições acumuladas -em sua maioria adiadas do ano passado devido ao novo coronavírus- os locais de votação abriram as portas às 07h00 (03h00 em Brasília) e só devem fechar às 22h00 (17h00 em Brasília). Mas os resultados serão divulgados apenas na sexta-feira ou no fim de semana.

"Este é um grande dia", afirmou o primeiro-ministro Boris Johnson em um vídeo publicado no Twitter, no qual pediu aos eleitores - residentes europeus incluídos nas eleições municipais - que compareçam às urnas e votem no Partido Conservador.

Quase 48 milhões de eleitores devem escolher 5.000 vereadores de 143 assembleias regionais na Inglaterra, o prefeito de Londres e os Parlamentos regionais do País de Gales e da Escócia.

Nesta última região, de 5,4 milhões de habitantes, os independentistas do Partido Nacionalista Escocês (SNP) da primeira-ministra Nicola Sturgeon, que governa em minoria, esperam obter um forte apoio para estimular sua reivindicação de um segundo referendo de autodeterminação.

Na primeira tentativa, em 2014, 55% dos eleitores votaram pela permanência no Reino Unido. Na época, o principal argumento contra a separação foi que a medida deixaria a Escócia fora da União Europeia (UE). Dois anos depois, porém, o referendo sobre o Brexit virou a mesa e os escoceses acabaram fora do bloco, assim como o resto do país, apesar de terem rejeitado a iniciativa por 62%.

Sturgeon argumenta que o Brexit mudou a situação e, aproveitando a popularidade conquistada com sua boa gestão da pandemia - que contrasta com as políticas de Johnson -, espera reforçar sua posição para pressionar Londres.

Testes para a esquerda e a direita

"Realmente está no fio da navalha", tuitou Sturgeon, que pediu aos escoceses para votar no SNP "se desejam uma primeira-ministra com a força e a experiência necessárias para trabalhar imediatamente para retirar a Escócia da crise e levá-la à recuperação".

Caso os independentistas conquistem um grande apoio, a pressão vai aumentar para Johnson, um ferrenho opositor de outra consulta na Escócia.

"Vamos esperar e ver o que acontece realmente, mas acredito que muitas pessoas na Escócia e em todo o Reino Unido sentem que este não é o momento, quando estamos saindo de uma pandemia, de ter um segundo referendo irresponsável e insensato", disse o primeiro-ministro na quarta-feira.

As eleições locais representam um teste para Johnson e seu Partido Conservador, após a entrada efetiva em vigor do Brexit, com a saída do país do mercado único europeu e da união alfandegária em 1º de janeiro.

Também significam uma prova de fogo para o líder da oposição trabalhista, Keir Starmer, cujo partido enfrenta as urnas pela primeira vez desde que ele assumiu o comando da formação em abril de 2020, após a derrota histórica derrota de seu antecessor Jeremy Corbyn em 2019.

"Lutamos por cada voto", declarou Starmer, que prometeu recuperar a esquerda britânica, apesar das dificuldades. "Independente do resultado, assumirei a responsabilidade", disse.

Os trabalhistas parecem ter garantida a vitória na multiétnica e supercosmopolita Londres, onde Sadiq Khan, de origem paquistanesa, primeiro prefeito muçulmano de uma capital ocidental, deve superar o rival conservador, o britânico de origem jamaicana Shaun Bailey.

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