Frederic J. BROWN / AFP
Frederic J. BROWN / AFP

Superterça deu um impulso para Biden e um desafio para Sanders

Ex-vice-presidente americano ganhou força na disputa e agora enfrenta senador Bernie Sanders de igual para igual

Dan Balz / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 11h37

WASHINGTON - A campanha democrata para a presidência dos Estados Unidos teve mais um fato inesperado na noite da Superterça. A candidatura do ex-vice-presidente Joe Biden foi alavancada, ganhou força nacional e agora é um desafio para o senador Bernie Sanders, que estava melhor até o momento e precisará mostrar capacidade de ampliar sua base de apoio. 

A disputa democrata foi transformada quase da noite para o dia de uma competição entre muitos candidatos sem nenhuma alternativa clara a Sanders em uma batalha de igual para igual. De um lado, um candidato apoiado pelo establishment político defendendo mudanças modestas, civilidade e alegando maior elegibilidade contra o presidente Donald Trump. Do outro, um populista com sua pregação sobre socialismo democrático. 

Há poucas mercadorias mais valiosas em campanhas políticas do que o "momentum" e, agora, Biden é abençoado com isso em abundância pela primeira vez. Os resultados mostraram que a sorte está contra Sanders. Em Vermont, onde ele ganhou mais de 85% dos votos em 2016 na corrida democrata, ele estava próximo de 50%. No Colorado, onde ganhou com 60%, tinha menos de 40%. 

Dias atrás, muitos pensavam que Sanders poderia ganhar em Minnesota, mas o Estado ficou com Biden após a senadora Amy Klobuchar abandonar a disputa. Biden também venceu Massachusetts, onde se pensava que Sanders ou Elizabeth Warren poderiam ganhar. 

Warren e Michael Bloomberg continuam na disputa, mas com cada vez menos chances. Bloomberg gastou cerca de meio bilhão de dólares em um plano para deixar sua marca na Superterça. Além de uma vitória na Samoa Americana, ele ia mal em todos os lugares. Esse desempenho levantou questões sobre por quanto tempo ele pode sustentar sua candidatura.

Warren esperava conquistar Massachusetts e conseguir delegados em outros lugares, mas também teve dificuldades. A senadora prometeu continuar sua campanha até a convenção. 

Levará algum tempo para saber exatamente como os delegados serão distribuídos nos 14 Estados que votaram, especialmente na Califórnia, que tem 415 delegados. Mas, com base no que estava acontecendo versus o que era esperado, a Superterça foi a noite de Biden. E os números finais dos delegados certamente refletirão as mudanças nas circunstâncias. 

Próximas semanas

Em um futuro próximo, nada indica que o calendário vai facilitar a vida de Sanders. A primária na próxima semana será em Michigan, onde ele teve uma grande virada quatro anos atrás contra Clinton, embora sua margem de vitória tenha sido estreita.

Também no calendário da próxima semana está o Missouri, região em que Sanders perdeu por menos de um ponto percentual e onde os delegados se dividiram quase uniformemente. O Missouri será outro teste do apoio de Biden e Sanders entre os afro-americanos, que representam cerca de um quinto do eleitorado democrata local. 

Já a rodada de primárias de 17 de março inclui Arizona, Flórida, Illinois e Ohio. Sanders perdeu na Flórida para Clinton e enfrentará séria de novo resistência. Também perdeu o Arizona, Ohio e Illinois. Uma semana depois, em 24 de março, é a vez da Geórgia, onde Biden também é favorito. 

 

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