Suposta mulher-bomba mata 28 pessoas no Sri Lanka

Guerrilha separatista tâmil ataca posto de controle para refugiados que escapam de zona de guerra

Agências internacionais,

09 de fevereiro de 2009 | 08h40

Uma suposta mulher-bomba provocou a morte de mais 28 pessoas nesta segunda-feira, 9, em um posto de controle para refugiados que escapavam da zona de guerra no Sri Lanka quando soldados inspecionavam civis em fuga, informou o Exército do país. Pelo menos 90 foram feridos.   A primeira ação suicida de grande porte no Sri Lanka em mais de um mês alimenta temores de que os rebeldes do Exército de Libertação dos Tigres do Tamil Eelam (LTTE) passem a recorrer a táticas de guerrilha em sua luta contra as forças do governo. O Sri Lanka acusa o LTTE de usar os civis como escudos humanos e incentiva os não combatentes a fugirem para regiões controladas pelo governo. Os rebeldes acusam o governo de bombardear indiscriminadamente a região, provocando aumento das mortes entre civis.   Depois de uma série de vitórias militares, o Exército encurralou os rebeldes tâmeis em uma estreita faixa de terra na costa nordeste do país. A Cruz Vermelha estima que cerca de 250 mil civis ainda estejam na região.   Nesta manhã, quando o ocorreu o atentado, mais de 800 civis já haviam deixado a zona de combate depois de serem inspecionados por soldados. A mulher-bomba detonou os explosivos que carregava consigo quando foi abordada por soldados, suicidando-se, matando mais 28 pessoas. "Dois oficiais e 18 outros (de menor patente) do Exército foram mortos, dois oficiais ficaram feridos e 48 outros ficaram feridos. Oito civis morreram e 40 ficaram feridos. Muitos são mulheres e crianças", disse o general-de-brigada Udaya Nanayakkara, porta-voz do Exército.   O Exército de Libertação dos Tigres do Tamil Eelam (LTTE) luta desde 1983 por uma pátria independente para a minoria tâmil do Sri Lanka no norte da ilha. Mais de 70 mil pessoas morreram em duas décadas e meia de violência. Os rebeldes denunciam que são marginalizados há décadas por governos dominados pela maioria do país.   O Tigres do Tâmil tem um esquadrão de elite, os "Tigres Negros", que se dedica a missões suicidas e a outros ataques de difícil execução. Esse esquadrão habitualmente se mescla à população civil para realizar ataques-surpresa, especialmente contra alvos militares. Analistas dizem que o grupo manterá esse tipo de guerrilha depois que os militares capturarem os 175 quilômetros quadrados ainda ocupados pelo grupo. O comandante do Exército diz que sua tropa está preparada para a invasão. O Tigres do Tâmil é considerado um grupo terrorista por EUA, União Europeia e Canadá, especialmente pelo emprego dos atentados suicidas. Acredita-se que o grupo tenha inventando o colete suicida (recheado com explosivos) e desenvolvido uma cultura do martírio. Todos os combatentes levam uma cápsula de cianureto presa ao pescoço, indicando a intenção de não se renderem caso sejam capturados.

Tudo o que sabemos sobre:
Sri Lanka

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.