Supostas vítimas sexuais de padre americano aceitam acordo

As 86 supostas vítimas de molestamento sexual do padre americano John Geoghan aceitaram um acordo de US$ 10 milhões feito pela Arquidiocese Católica Romana de Boston em troca da retirada de uma ação criminal, informou ontem à noite o advogado dos denunciantes, Mitchell Garabedian."É tempo de seguir em frente e tentar lidar com isso da melhor maneira, se possível", afirmou Garabedian. "Algumas pessoas estavam relutantes, mas seu desejo de encerrar a questão foi o fator determinante", disse. "Elas sabiam que, mesmo que convencessem a juíza (Constance M. Sweeney, do Tribunal Superior de Suffolk, responsável pelo caso), a questão seria apenas levada à apelação e continuaria por cinco anos".Garabedian disse que, pelo acordo, 50 denunciantes que afirmam ter sido molestados vão dividir US$ 9,3 milhões; 20 pessoas cujo abuso se constituiu em serem expostas ao padre Geogham sem que fossem por ele tocadas vão dividir US$ 560 mil; e 16 parentes das pessoas supostamente molestadas dividirão US$ 160 mil. Garabedian receberá um terço do acordo como honorários.Donna Morrissey, uma porta-voz da arquidiocese de Boston, afirmou que prefere não caracterizar o acordo com definitivo, mas disse que "estamos trabalhando nele e nosso desejo é finalizar este caso de uma maneira justa e igualitária"O advogado do cardeal Bernard Law afirmou há duas semanas que uma oferta inicial de US$ 10 milhões fora aceita pelas supostas vítimas - uma alegação negada por Garabedian.Os denunciantes inicialmente tinham aceitado um acordo de US$ 14,9 milhões a US$ 29,8 milhões, em março. Mas a igreja voltou atrás, alegando que não teria meios para pagar esse acordo porque centenas de outras ações judiciais semelhantes tinham sido impetradas nos últimos meses.Os advogados da igreja disseram que o acordo será coberto em grande parte pelo seguro, o que alivia a pressão sobre a arquidiocese para vender imóveis ou pedir concordata, ao menos por enquanto. É muito provável que este acordo abra precedente para outras ações judiciais. Mais de 250 denunciantes têm ações judiciais contra a arquidiocese.

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