Suposto ataque dos EUA mata 7 pessoas no Paquistão

Supostos aviões teleguiados dos EUA dispararam mísseis contra um vilarejo paquistanês no começo da quinta-feira, matando ao menos sete pessoas, disseram moradores e uma autoridade local. Esse é o mais recente ataque contra um bastião de um comandante do Taliban no país. A investida teve por alvo um vilarejo da região do Waziristão do Norte, localizada perto da fronteira com o Afeganistão. Na área, Jalaluddin Haqqani, um velho amigo de Osama bin Laden, abriu uma madrassa (escola religiosa). A família de Haqqani costumava morar ali. Moradores disseram que três mísseis foram disparados por aviões teleguiados e que um deles atingiu a madrassa. Os outros dois acertaram uma casa localizada a 500 metros de distância. "Oito militantes estavam dormindo no pátio da casa. Todos foram mortos. Eles eram militantes da região", afirmou à Reuters um morador do vilarejo que não quis ter sua identidade revelada. Uma autoridade dos serviços de inteligência disse que sete pessoas, entre os quais militantes, haviam sido mortas. Em setembro, 23 pessoas, a maior parte delas parentes de Haqqani, morreram em um ataque semelhante realizado contra o mesmo vilarejo. As forças norte-americanas presentes no Afeganistão, preocupadas com os ataques vindos do lado paquistanês da fronteira, realizaram mais de dez ataques com mísseis e uma operação por terra dentro do Paquistão desde o começo de setembro. Um grande número de militantes morreu nas investidas, mas nenhum líder importante da Al Qaeda ou do Taliban estaria entre as baixas. O Paquistão, um importante aliado dos EUA na sua luta contra os grupos militantes, não concorda com os ataques norte-americanos realizados em seu território, afirmando que essas ações violam sua soberania e intensificam o apoio aos radicais. MILITANTES MORTOS Haqqani é um veterano da guerra contra a ocupação soviética no Afeganistão, nos anos 80, e sua família vinha morando no Waziristão do Norte desde então. Naquele conflito, o militante contou com o apoio dos EUA. Os laços dele com Bin Laden datam do final dos anos 80. Um dos filhos de Haqqani afirmou à Reuters que o comandante encontrava-se no Afeganistão quando o vilarejo foi atingido em setembro. Membros do Taliban afirmam que Haqqani enfrenta problemas de saúde e que um dos filhos dele, Sirajuddin, vem liderando o grupo do pai. Em outro incidente, militares do Paquistão, com o apoio de helicópteros de combate, realizaram disparos de peças de artilharia contra posições de militantes na região de Bajaur, durante a noite e na manhã de quinta-feira. Segundo moradores e autoridades, nove militantes foram mortos nesses ataques. Bajaur é outro refúgio dos militantes localizado na fronteira afegã e fica a nordeste do Waziristão. As Forças Armadas dizem que mais de mil militantes foram mortos na região desde que lançaram uma ofensiva ali, em agosto. Mas não houve confirmação independente sobre esses números. O Paquistão, que possui armas nucleares, enfrenta um aumento da violência militante e uma crise econômica que alimentou temores sobre a estabilidade do país. O governo paquistanês deve dar início a negociações sobre um programa de empréstimo junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), nos próximos dias, depois de ter pedido ajuda à agência, já que encontra dificuldades para resolver sua crise econômica. O apoio do Paquistão à campanha liderada pelos EUA contra os militantes é altamente impopular, mas o atual governo do país, liderado pelo viúvo da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, prometeu ficar ao lado dos norte-americanos. O dirigente disse ainda que acabará com o terrorismo e ofereceu negociar com os militantes que depuserem suas armas. O Parlamento do país aprovou uma resolução, na noite de quarta-feira, corroborando a estratégia do governo, mas afirmando que o diálogo deveria ser prioritário. (Reportagem adicional de Alamgir Bitani e Sahibzada Bahauddin)

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