Suposto homem-bomba da Al-Qaeda era agente infiltrado, dizem EUA

EUA comemoraram 'vitória' em operação de alto risco que ludibriou facção mais perigosa da rede extremista.

Pablo Uchoa, BBC

08 Maio 2012 | 22h09

Ainda em clima de "vitória" - relembrando a morte do ex-chefe da rede Al-Qaeda um ano atrás -, os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira que um suposto plano da rede para explodir um avião com destino a alguma cidade americana era na verdade uma operação secreta conduzida por um agente infiltrado.

A facção mais perigosa da rede, Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), pensava que estava mandando um militante suicida para explodir um avião que sairia do Iêmen com destino aos Estados Unidos em abril - mas o homem era na verdade um agente infiltrado, supostamente recrutado pela Arábia Saudita.

Autoridades militares americanas disseram que o agente deixou o Iêmen via Emirados Árabes Unidos e, em vez de cumprir as ordens dos extremistas, entregou a bomba a agentes da Central de Inteligência Americana (CIA) e agências equivalentes da Arábia Saudita e de outros países.

O homem obteve informações cruciais sobre a liderança da AQPA e sobre a sua nova tecnologia de bombas sem partes de metal, mais difícil de ser detectada pela segurança dos aeroportos.

Segundo o jornal The New York Times, o agente está em segurança na Arábia Saudita.

Ameaça

A facção da Al-Qaeda na Península Arábica é considerada hoje a maior ameaça para os Estados Unidos. Foi ela que organizou, sem sucesso, o que seria a explosão de um voo transatlântico sobre a cidade de Detroit no Natal de 2009.

Como aquela bomba, a nova versão seria colocada na roupa de baixo de um suicida.

Entretanto, o artefato entregue pelo agente duplo nesta semana não contém peças de metal, o que dificultaria a sua identificação em sistemas de segurança de aeroportos.

Além do mais, a bomba poderia ser acionada de duas maneiras, caso a primeira falhasse.

"Estamos agora tentando tomar medidas para evitar que qualquer outro tipo de artefato, construído de forma similar, passe pelos procedimentos de segurança", disse o chefe de contra-terrorismo da Casa Branca, John Brennan.

Documentos apreendidos na operação que matou Bin Laden um ano atrás sugeriram que a Al-Qaeda na Península Arábica opera com total autonomia, inclusive contra as diretrizes da liderança central.

Em resposta às ameaças do grupo, os EUA têm intensificado seus ataques com aviões não-tripulados contra suspeitos de fazer parte do grupo.

No fim de semana, um destes ataques matou dois militantes da facção, incluindo Fahd al-Quso, o suspeito do ataque contra o destróier americano USS Cole, no porto iemenita de Áden, no ano de 2000. O episódio deixou 17 militares mortos e 40 feridos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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