Mansi Thapliyal/Reuters
Mansi Thapliyal/Reuters

Suposto líder de estupro coletivo na Índia é encontrado morto em cela

Polícia diz que homem se enforcou na prisão; advogado e pai do acusado não descartam um homicídio

Reuters

11 de março de 2013 | 16h57

NOVA DÉLHI - O homem que a polícia acusa de ser o líder de um estupro coletivo em um ônibus em Nova Délhi ocorrido em dezembro, crime que indignou a Índia, se enforcou em sua cela nesta segunda-feira, 11, disseram as autoridades penitenciárias, levantando questões sobre o monitoramento e a segurança das prisões.

Ram Singh fez um laço com o colchão em que dormia e se enforcou pouco antes do amanhecer em uma grade no teto da cela que ele dividia com outros três detentos, disse o porta-voz da prisão Sunil Gupta.

Embora houvesse câmeras por toda Tihar, a principal prisão de segurança máxima da Índia, não havia nenhuma nas celas individuais, disse Gupta. Singh tinha sido colocado na categoria "segurança normal", então não recebeu nenhuma vigilância especial, ele disse.

Gupta não pode dizer quanto tempo Singh levou para fazer o laço ou como conseguiu passá-lo pela grade, que fica 2,3 metros acima do chão. Ele pode ter subido em um balde plástico, divulgou parte da mídia indiana.

O advogado de Singh, V.K. Anand, disse que seu cliente estava calmo quando falou com ele no tribunal na sexta-feira, e "não tinha nenhuma reclamação". Singh, que podia pegar a pena de morte se fosse condenado por homicídio, não estava na vigilância de suicídio, disseram Anand e Gupta.

"Eu sei que ele fez algumas poucas reclamações de autoridades penitenciárias torturando-o, mas nada que fizesse com que ele tirasse a própria vida. Não podemos descartar um crime", disse Anand. Anteriormente, Anand tinha negado que seu cliente sofresse maus tratos na prisão. Ele não quis explicar o que quis dizer por "tortura".

O ministro do Interior, Sushil Kumar Shinde, descreveu o incidente como um "lapso grande" na segurança e disse que um inquérito tinha sido lançado.

Singh e outros cinco, inclusive um menor, foram colocados em julgamento pelo ataque em 16 de dezembro contra uma estagiária de fisioterapia de 23 anos. O ataque provocou protestos nacionais, um endurecimento das leis de estupro e um debate intenso sobre crime excessivo contra mulheres na Índia.

Todos os seis acusados alegaram inocência às acusações de estupro e homicídio, embora a polícia tenha dito que eles admitiram o envolvimento no ataque em declarações feitas depois que foram presos.

O pai de Singh disse que não acreditava que seu filho tivesse cometido suicídio e suspeitava que ele tivesse sido assassinado em sua cela. "Ele confessou seu erro, então por que cometeria suicídio? Ele estava preparado para qualquer castigo que o governo pudesse dar a ele", disse Mange Lal Singh.

O julgamento dos cinco homens adultos começou no mês passado, enquanto o julgamento do menor começou na semana passada. O irmão de Ram Singh, Mukesh Singh, o assistente de academia Vinay Sharma, o faxineiro do ônibus Akshay Kumar Singh e o vendedor de frutas Pawan Kumar são os outros homens que estão sendo julgados.

A polícia disse que os seis atacaram a mulher e seu companheiro no ônibus quando o casal voltava para casa depois de assistir a um filme. A mulher foi estuprada várias vezes e torturada com uma barra de metal. Os dois foram gravemente espancados antes de serem atirados em uma estrada.

A mulher morreu de ferimentos internos em um hospital de Cingapura duas semanas depois. Especialistas legais disseram que a morte de Singh não mina o caso da promotoria, que era grandemente baseado em provas de DNA e depoimentos da vítima de estupro antes de ser morta e de seu amigo.

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