Suposto míssil dos EUA mata 27 pessoas no Paquistão

Dois mísseis caíram contra uma casa e supostamente mataram um dirigente da rede terrorista Al Qaeda

AE-AP e Efe, Agência Estado

31 de outubro de 2008 | 14h49

Funcionários da inteligência paquistanesa informaram que um míssil, aparentemente dos Estados Unidos, matou pelo menos 27 pessoas no noroeste do país. Segundo as fontes, as identidades das vítimas ainda não foram reveladas. A casa atingida fica na vila Mir Ali, no Waziristão do Norte. Os funcionários falaram sob condição de anonimato.     Dois mísseis caíram contra uma residência na localidade de Mirali e supostamente mataram um dirigente da rede terrorista Al Qaeda, Abu Akash, de origem iraquiana, segundo a fonte. Agentes da inteligencia, falando em aninimato, confirmaram a morte do terrorista.   Um correspondente da Dawn TV no noroeste paquistanês citou também testemunhas que asseguraram que a maioria dos mortos são árabes, embora entre eles também haja, segundo as fontes, paquistaneses.   A fonte do serviço de inteligência assinalou que Akash vive no Paquistão há três anos e está relacionado com vários ataques contra as tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) destacadas no Afeganistão.    Agentes da inteligência disseram suspeitar que os mísseis norte-americanos tenham atingido uma segunda casa, matando outras sete pessoas.   Eles disseram, em anonimato pois não tinham autorização para falar com a imprensa, que o segundo ataque aconteceu em Kari Kot, no sul de Waziristan.   O governo americano é suspeito de ter lançado pelo menos 17 ataques com mísseis e foguetes dentro do noroeste do Paquistão desde agosto deste ano, numa escalada sem precedentes que está estremecendo a aliança militar de sete anos entre Washington e Islamabad. Os ataques com mísseis ocorrem em um período de crise econômica cada vez mais grave no Paquistão. Eles refletem a crescente frustração americana, com funcionários dos EUA acusando o Paquistão de inação frente aos extremistas islâmicos, que são acusados de realizarem atentados no Paquistão e Afeganistão.   O governo dos EUA não admite e não nega realizar os ataques. Analistas políticos dizem que os oficiais americanos calculam que, seja qual for o dano que os ataques unilaterais com mísseis provoquem à relação entre os EUA e o Paquistão, será possível repará-la entre os dois países após o sucessor do presidente americano George W. Bush tomar posse em janeiro de 2009.   O Governo paquistanês chamou para consultas, na quarta-feira, 29, a embaixadora dos EUA em Islamabad, Anne Patterson, e pediu a ela a cessação imediata dos "contínuos" ataques que seriam responsabilidade dos americanos.   O último ataque aconteceu no último dia 26, quando um avião espião lançou mísseis contra uma suposta base insurgente na demarcação tribal do Waziristão do Sul, um dos redutos dos fundamentalistas.   Nos últimos dois meses e meio aconteceram 13 ataques desta natureza, a maioria deles atribuídos a aviões americanos não pilotados.   Ataque suicidaTambém no noroeste paquistanês, um suicida atacou nesta sexta-feira, 31, um chefe de polícia, matando oito pessoas, entre elas cinco civis. A autoridade sobreviveu ao ataque, que também matou três policiais. O atentado suicida ocorreu na cidade de Mardan e deixou 15 pessoas feridas, segundo o prefeito Himayat Ali. Houve mais de 90 ataques suicidas no país desde julho do ano passado, que mataram perto de 1.200 pessoas, segundo estatísticas dos militares. Acredita-se que a maioria dos extremistas seja treinada no noroeste do Paquistão, de onde também partem para realizar ataques no território do vizinho Afeganistão contra forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).Os Estados Unidos pressionam o governo local para reprimir mais os rebeldes. Islamabad alega, porém, que faz o possível para conter os extremistas e reclama dos ataques unilaterais lançados por Washington, qualificando-os como uma agressão à soberania paquistanesa.   Ampliada às 19h06

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