Supostos casos de antraz no Rio são trote, diz Fiocruz

Exames preliminares indicam que dois supostos casos de bioterrorismo registrados nos últimos dois dias no Rio - em um avião da companhia aérea alemã Lufthansa, no domingo, e no Consulado dos Estados Unidos, não passaram de trotes. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que analisa amostras recolhidas nos dois casos, divulgou o resultado dos testes bacterioscópicos realizados com o pó branco enviado ao consulado, que não indicaram presença de germes. A substância encontrada na aeronave ainda é desconhecida e continua sendo examinada. Na Shell, o medo do bioterrorismo levou funcionários a confundirem açúcar com uma arma biológica. O falso ataque bacteriológico ao consulado ocorreu por volta das 15h de segunda-feira, mas só foi divulgado hoje. Três funcionários do consulado receberam uma carta e desconfiaram de seu conteúdo. Eles colocaram o envelope contra a luz, viram que continha um pó suspeito e chamaram a Polícia Federal. De acordo com o tenente-coronel da Polícia Militar Sidney Coutinho, que coordena o esquema de segurança no consulado, reforçado hoje, o envelope não foi aberto pelas três pessoas que tiveram contato com ele na sala de correspondência. Os funcionários da representação diplomática, dois brasileiros e um porto-riquenho, foram levados para o Instituto de Infectologia São Sebastião e medicados com antibióticos. A sala de correspondência foi isolada pela PF. Às 10h50 de hoje, policiais federais e agentes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) retiraram o envelope do prédio e o levaram à Fiocruz. O vice-presidente do Serviço de Referência e Ambiente da entidade, Ary Miranda, disse que a possibilidade de que o pó enviado ao consulado contenha uma forma bacteriana é praticamente nula. A amostra agora passará ao trabalho de cultura de bactérias, que deverá terminar em até 48 horas, assim como no caso da Lufthansa, cuja conclusão está prevista para ser divulgada amanhã à tarde. Segundo o superintendente da Secretaria Estadual de Saúde, Oscar Berro, o órgão foi acionado ainda na segunda pelo consulado. O superintendente informou ainda que os 14 funcionário da empresa de limpeza Globe Ground, que encontraram o pó branco suspeito no avião da Lufthansa, terminaram o tratamento com antibióticos e estão liberados. A Fiocruz organizou uma equipe de plantão permanente de pesquisadores e técnicos para eventuais emergências. Medo de açúcar O medo de ataques com bactérias levou funcionários da Shell a confundirem açúcar com uma arma biológica. Uma funcionária da Distribuidora de Gás Liquefeito de Petróleo informou sobre o recebimento de uma correspondência suspeita que continha uma substância não identificada. O local fica cerca de um quilômetro de distância da nova sede da Shell, na Barra da Tijuca. De acordo com a empresa, "todos os procedimentos de prevenção e contenção de uma eventual e suposta contaminação foram adotados, inclusive com o isolamento imediato da área onde ocorreu o incidente". No entanto, depois verificou-se que o fato "seguramente decorreu de acidente com o uso de açucar, ocorrido no próprio escritório, no momento da entrega das correspondências". "Independente dessa conclusão, os procedimentos médicos preventivos foram adotados em relação à pessoa diretamente envolvida. Além disso, as autoridades foram prontamente comunicadas", informa a empresa em nota divulgada à imprensa.

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