Supostos mísseis dos EUA matam 5 no noroeste do Paquistão

Supremo absolve ex-premiê Nawaz Sharif de terrorismo e sequestro, abrindo caminho para volta ao governo

Agência Estado e Associated Press,

17 de julho de 2009 | 13h04

Um ataque de supostos mísseis norte-americanos numa região tribal do Paquistão matou pelo menos cinco militantes nesta sexta-feira, 17, mostrando a falta de vontade das forças dos Estados Unidos em abandonar a tática, apesar de representantes paquistaneses afirmarem que ela pode interferir nas ofensivas no noroeste do país.

 

O ataque de mísseis atingiu um casa na vila de Gariwam, no Waziristão do Norte, informaram dois agentes de inteligência em condição de anonimato. Um funcionário do governo local, Anayat Ullah, também confirmou o ataque contra a vila. O morador local Ahmad Raza disse ter ouvido integrantes do Taleban na área dizendo que cinco de seus companheiros foram mortos.

 

No último ano, os Estados Unidos lançaram dezenas de ataques com mísseis nas regiões do noroeste paquistanês que fazem fronteira com o Afeganistão. O Waziristão do Norte e o Waziristão do Sul, no cinturão tribal semiautônomo, têm sido alvos frequentes desses ataques por causa da forte presença do Taleban e da Al-Qaeda no local. Os Estados Unidos raramente reconhecem ou comentam os ataques, mas muitos defendem a tática, afirmando que seu uso resultou na morte de vários combatentes a Al-Qaeda. Muitos analistas suspeitam que os dois países têm um acordo secreto sobre os ataques com mísseis, embora o Paquistão formalmente proteste, afirmando que eles violam a soberania e provocam raiva entre as tribos nas áreas afetadas.

 

Também nesta sexta-feira, duas bombas que explodiram no noroeste do Paquistão danificaram dois petroleiros controlados por forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. Uma das bombas explodiu um petroleiro na região de Jamrud, na área tribal de Khyber. A segunda danificou um petroleiro na área de Landi Kotal, também em Khyber.

 

Também no noroeste paquistanês, o Exército prosseguiu suas operações contra militantes no Vale do Swat e distritos próximos. Dois soldados morreram após a explosão de uma bomba colocada no acostamento de uma estrada durante as últimas 24 horas, segundo um comunicado militar divulgado na tarde desta sexta-feira. As mortes são um sinal de que o perigo persiste na região, mesmo que o Exército tenha declarado as expulsão dos militantes de grande parte da área e os paquistaneses desalojado pelos confrontos tenham começado a voltar, aos milhares, para suas casas.

 

Também nesta sexta-feira, o principal tribunal paquistanês derrubou a condenação contra o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif por ter ordenado em outubro de 1999, quando era premiê, o sequestro do avião onde viajava o então chefe do Estado-Maior e hoje ex-presidente, Pervez Musharraf. A estabilidade política no Paquistão também tem sido uma fonte de preocupações para os Estados Unidos, em razões das tensões entre Sharif e o partido do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari.

 

Em decisão tomada nesta sexta-feira, a Suprema Corte definiu que não há evidências que apoiem a condenação de Sharif. O porta-voz de Sharif, Sadiqul Farooq, disse que a decisão torna mais próximo o final do caso criminal contra o homem que já foi primeiro-ministro duas vezes, abrindo caminho para seu retorno ao governo. Segundo pesquisas recentes, Sharif é o político mais popular do país. "Nós sabíamos que Nawaz Sharif é inocente, mas a decisão judicial também prova que ele foi injustamente condenado", disse Farooq.

 

O Exército paquistanês depôs o governo de Sharif num sangrento golpe em 12 de outubro de 1999, o dia que Sharif demitiu Pervez Musharraf de seu cargo como chefe do Exército e recusou-se a permitir que o avião do general aterrissasse no aeroporto de Karachi quando voltada de uma viagem ao exterior. Depois de assumir o poder, o governo militar de Musharraf acusou Sharif de ordenar o sequestro do avião de Musharraf. Sharif afirma que suas ações tinham como objetivo de evitar um golpe que estava a caminho.

 

A decisão judicial desta sexta-feira foi a terceira nos últimos dois meses a levantar a proibição para que Sharif participe das eleições. Ele não faz segredo de sua intenção de volta à vida pública, mas disse que não quer eleições antecipadas.

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