Suprema Corte autoriza que juiz Garzón interrogue Pinochet

A Corte Suprema chilena autorizou o juiz espanhol Baltasar Garzón a interrogar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet e sua mulher Lucía Hiriart sobre transferências de fundos, apesar de na época o magistrado ter decretado um embargo, informa hoje a imprensa local.A diligência tem como objetivo que o ex-chefe militar e sua mulher respondam pelas transferências de dinheiro que fizeram do Banco Riggs, nos EUA, a contas no Banco Chile, enquanto havia um embargo internacional de sua fortuna, decretado pelo juiz espanhol em 1998.O pedido de Garzón foi aprovado pela sala penal do máximo tribunal, segundo fontes judiciais.AcusaçõesGarzón, que em 1998 ditou a ordem para que Pinochet fosse detido em Londres pelos delitos de genocídio, terrorismo e torturas, questiona o ex-governante (1973-1990) por ocultar seus bens quando havia um embargo e esteve detido na capital inglesa durante 503 dias.As transações de fundos feitas por Pinochet estão incluídas no processo que corre no Chile sob o juiz Carlos Cerda, que investiga a origem da fortuna do general reformado no chamado "Caso Riggs".Nesse caso, Pinochet, de 90 anos, já foi despojado do privilégio que lhe é concedido por sua condição de ex-governante. Ele é processado por fraude tributária e falsificação de passaportes, enquanto, em agosto passado, a Corte Suprema aprovou uma nova perda de imunidade contra ele pelo delito de malversação de fundos.Até agora, a Justiça estabeleceu que Pinochet acumulou uma fortuna de origem não-explicada de US$ 26 milhões.

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