Suprema Corte do Paquistão pede a prisão de premiê

Decisão, por corrupção, amplia crise e pode adiar eleições gerais; protesto liderado por clérigo lança suspeita sobre militares

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2013 | 02h09

A Suprema Corte do Paquistão pediu ontem à tarde a prisão do primeiro-ministro Raja Pervez Ashraf, intensificando a já profunda crise no país. A decisão da Justiça, em um caso de corrupção investigado há mais de um ano, ocorreu no mesmo dia em que o clérigo Muhammad Tahir-ul Qadri, até há pouco um desconhecido, arrastou dezenas de milhares de manifestantes para uma marcha contra a corrupção e pela destituição do governo, no coração da capital, Islamabad.

A confluência dos eventos motivou suspeitas de manobra política. A corte deu 24 horas para que o mandado de prisão seja cumprido. Analistas políticos dizem que a decisão abre caminho para que os militares estabeleçam um governo interino e peçam o adiamento das eleições gerais previstas para maio. O atual Parlamento deve ser dissolvido em 18 de março e novas eleições convocadas em até 60 dias.

"Vitória, vitória, vitória. Pela graça de Deus", gritava Qadri aos manifestantes reunidos na frente do Congresso. "Não existe Parlamento. Há um grupo de saqueadores, ladrões e bandidos", disse, apontando para o prédio. Ao mesmo tempo, elogiou os militares e a Suprema Corte. "Só há duas instituições: o Judiciário e as Forças Armadas." Sobre o amparo dos militares, Qadri disse que seu apoio vem "de Deus, do profeta Maomé e de 180 milhões de paquistaneses".

É a segunda vez desde junho que a Suprema Corte pede a deposição de um primeiro-ministro. A primeira ocorreu em junho, quando Yousuf Raza Gilani foi forçado a deixar o cargo por se recusar a pedir à Suíça a reabertura de um processo criminal contra o presidente Asif Ali Zardari por lavagem de dinheiro. Gilani foi substituído por Ashraf, que fez o pedido.

Ashraf é acusado agora de receber propina em contratos para construção de uma usina elétrica quando era ministro de Águas e Energia em 2010. A Corte pediu a sua prisão e a de 15 funcionários de alto escalão do governo, entre eles o ex-ministro e o ex-secretário de Finanças de Ashraf. Ele nega as acusações. / NYT e WP

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