Luka Gonzales / AFP
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Suprema Corte do Peru adia decisão sobre liberação de Keiko Fujimori

Tribunal não chegou a conclusão sobre o pedido de liberdade da líder opositora, presa preventivamente há nove meses em razão do escândalo de propinas da construtora brasileira Odebrecht 

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2019 | 10h31
Atualizado 09 de agosto de 2019 | 16h11

LIMA - A Suprema Corte do Peru anunciou nesta sexta-feira, 9, que continuará deliberando sobre o pedido de liberar a líder opositora Keiko Fujimori, há nove meses em prisão preventiva, após não chegar a uma decisão entre seus magistrados.

"Não foi tomada uma decisão pelos cinco juízes (da Sala Permanente da Corte , equivalente à Turma no Supremo Tribunal Federal brasileiro)", disse seu presidente, Hugo Príncipe, em uma audiência que durou menos de cinco minutos, ao explicar que deverão continuar deliberando até chegar a um acordo de maioria para emitir sua decisão.

Keiko, de 44 anos e duas vezes candidata presidencial, não estava presente no tribunal, mas que acompanhava a audiência por teleconferência do presídio de mulheres de Chorrillos, ao sul de Lima.

A primogênita do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), também encarcerado, foi enviada por um juiz a prisão preventiva em 31 de outubro no contexto do escândalo da Odebrecht, que também atinge quatro ex-presidentes peruanos.

"A Sala Penal Permanente da Suprema Corte vota em divergência sobre o recurso colocado por Keiko Fujimori e outros para derrubar os 36 meses de detenção pré-julgamento por lavagem de dinheiro ligada a contribuições ilícitas da Odebrecht", disse o poder judicial no Twitter minutos depois.

A líder opositora, cujo partido controla o Congresso, esperava conseguir sua liberdade nesta sexta-feira, depois de apresentar um recurso de cassação à Suprema Corte para anular a ordem de prisão preventiva contra ela e três colaboradores.

Recuperar tempo em família

Antes do adiamento pelo tribunal, analistas peruanos especulavam sobre o que Keiko faria caso fosse solta. "Veremos se é capaz de se reinventar e reinventar o fujimorismo ou se simplesmente virará a página ou se vai se isolar em suas vida privada", disse Carlos Melendez. "(Em qualquer caso), seguirá como uma voz da oposição ao vizcarrismo e, talvez, ainda tenha algum poder no país", completou.

Uma fonte do entorno familiar de Keiko afirmou que ela "está focada na esperança de sair e de recuperar o tempo (perdido) com sua família, ainda que seus partidários a queiram imediatamente à frente de uma manifestação".

Keiko lidera o partido Força Popular, que domina o congresso peruano, e foi duas vezes candidata à presidência (em 2011 e 2016). O fujimorismo, movimento populista de direita com traços autoritários que apoia o livre mercado, é a principal força eleitoral do país desde 2016.

Organização criminosa

Keiko foi enviada à prisão por um pedido da procuradoria anticorrupção, que a investiga ao lado de dezenas de seus colaboradores por supostamente lavar US$ 1,2 milhão em aportes ilícitos da Odebrecht para sua campanha de 2011. Ela nega a acusação.

A procuradoria diz que ela liderava uma "organização criminosa dentro de seu partido". Sua defesa recorreu à Suprema Corte depois de um tribunal de apelações rechaçar em janeiro o pedido para libertá-la. Keiko questiona sua prisão alegando que a investigação da procuradoria tem como base uma "trama de mentiras".

Sua prisão desatou uma crise em seu partido, que perdeu o poder esmagador com o qual encurralou o presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK) até que ele renunciou em março de 2018.

O grupo perdeu a maioria absoluta do Congresso, onde tinha 73 dos 130 legisladores. Agora tem 53 cadeiras, mas continua a ser a maior força no fragmentado parlamento peruano.

As pesquisas mostram, no entanto, que a grande maioria dos peruanos deixou de apoiar o Força Popular, que era o partido mais popular no Peru e obteve quase 50% dos votos nas últimas duas eleições (2011 e 2016).

O caso da Odebrecht, sua rejeição às reformas anticorrupção de Vizcarra e as lutas com seu irmão mais novo, Kenji, enfraqueceram Keiko. Atualmente ela só tem o apoio de 9% dos peruanos, de acordo com uma pesquisa da Ipsos.

O escândalo da Odebrecht também atinge os ex-presidentes PPK, Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Alan García (1985-1990 e 2006-2011), que se suicidou em abril antes de ser preso. / AFP

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