Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

Suprema Corte dos EUA rejeita recurso eleitoral de Trump na Pensilvânia

Decisão foi a primeira do mais alto tribunal americano desde que o presidente republicano lançou uma batalha judicial para questionar a derrota nas eleições de 3 de novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 19h43
Atualizado 08 de dezembro de 2020 | 21h39

WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos infligiu um novo revés ao presidente Donald Trump nesta terça-feira, 8, ao rejeitar um recurso de seus aliados para bloquear a certificação dos resultados eleitorais na Pensilvânia, Estado-chave para a vitória do democrata Joe Biden. O Estado já oficializou os resultados. 

O mais alto tribunal dos Estados Unidos, no qual três dos nove magistrados foram nomeados por Trump, não explicou os motivos de sua decisão, a primeira desde que o presidente republicano lançou uma batalha judicial para questionar a derrota nas eleições de 3 de novembro.

O tribunal, em uma sentença breve, rejeitou um pedido do congressista Mike Kelly, um aliado de Trump, e outros republicanos da Pensilvânia que entraram com uma ação argumentando que a expansão da votação por correspondência era ilegal sob a lei estadual. 

Biden obteve 306 votos eleitorais - excedendo os 270 necessários - em comparação com 232 para Trump no colégio eleitoral que determina o resultado da eleição, enquanto também venceu o voto popular nacional por mais de 7 milhões de votos.

Trump tem afirmado falsamente que venceu a eleição, fazendo alegações infundadas sobre fraude eleitoral generalizada em Estados-chave, incluindo a Pensilvânia. Democratas e outros críticos acusaram Trump de tentar reduzir a confiança do público na integridade das eleições nos EUA e minar a democracia ao tentar subverter a vontade dos eleitores. 

"Esta eleição acabou. Precisamos continuar a impedir esse circo de 'processos' e seguir em frente", escreveu no Twitter o procurador-geral da Pensilvânia, Josh Shapiro, um democrata.

Ao recusarem os argumentos dos republicanos, os nove juízes da Corte puseram fim a esse procedimento e dão a entender que não pretendem se envolver em disputas pós-eleitorais. Trump, no entanto, esperava que a mais alta Corte, que ele reorganizou profundamente durante sua administração, interviesse em seu nome. No dia seguinte às eleições, ele disse que levaria suas reivindicações ao tribunal.

Em 2000, a Suprema Corte interrompeu uma recontagem de votos na Flórida, onde George W. Bush obteve apenas 537 votos (em um universo de 6 milhões) a mais do que o democrata Al Gore, permitindo ao republicano vencer as eleições.

O Estado do Texas, governado por republicanos, entrou com outro recurso na terça-feira na mais alta corte do país para buscar a invalidação dos resultados eleitorais em quatro Estados-chave, mas de acordo com especialistas não tem chance de sucesso.

Legado

Enquanto queima seus últimos cartuchos tentando permanecer no poder, Trump vem adotando uma outra estratégia para manter seu legado mesmo após a posse de Biden. Hoje, ele nomeou vários amigos e aliados para cargos importantes em fundações, agências e órgãos federais – os postos têm mandatos específicos e não há nada o que o futuro governo possa fazer. 

Trump nomeou Elaine Chao, sua atual secretária de Transportes, para ser membro do conselho de curadores do Centro John F. Kennedy para as artes performáticas, em Washington. Chao é casada com Mitch McConnell, líder republicano do Senado. Os curadores têm mandatos de seis anos.

Kellyanne Conway, ex-gerente de campanha e conselheira, será supervisora da Academia da Força Aérea, como membro do conselho de visitantes. Ela terá um mandato de três anos. Matt Schlapp, presidente do lobby American Conservative Union e marido de Mercedes Schlapp, que foi sua diretora de comunicações, fará parte do conselho da Biblioteca do Congresso, que tem mandato de cinco anos. /AFP, REUTERS , NYT e W. Post 

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