Suprema Corte húngara libera propaganda contra ciganos

Tribunal afirma que as emissoras estatais precisam dar um tratamento igual a todos os partidos políticos

AE-AP, Agência Estado

30 de setembro de 2010 | 17h12

A Suprema Corte da Hungria manteve hoje uma decisão do Comitê Eleitoral Nacional que força a rádio e a televisão estatais do país a transmitirem uma propaganda eleitoral do maior partido de extrema direita, o Jobbik, na qual o grupo se refere a "criminosos ciganos". O tribunal afirma que as emissoras estatais precisam dar um tratamento igual a todos os partidos políticos numa eleição e que elas também não são responsáveis pelo conteúdo das propagandas políticas.

Como em outros países europeus, os ciganos, chamados de "Roma" no Leste, formam uma minoria e enfrentam ampla discriminação. As emissoras estatais pediram à Justiça que bloqueasse a propaganda do Jobbik, dizendo que ela é ofensiva e não cumpre com os padrões estabelecidos.

Na propaganda, uma jovem, que aparece com medo de sair na rua, pergunta: "Por que os criminosos ciganos têm permissão de fazer o que quiserem?". A propaganda de 30 segundos também aponta o dedo para políticos corruptos, bancos e empresas multinacionais, dizendo que todos são "parasitas" que sugam o sangue da Hungria.

A Hungria terá eleições municipais no país inteiro, no domingo. O Jobbik afirma que irá processar a mídia estatal por ela ter rejeitado a propaganda, cuja exibição deveria ter começado há uma semana. Nas eleições parlamentares de abril o Jobbik obteve 16,7% dos votos e tornou-se a segunda maior força política da Hungria, logo após os socialistas.

O partido atraiu votos principalmente nas pobres regiões rurais húngaras, especialmente no noroeste, onde o desemprego algumas vezes é mais que o dobro da média nacional de 11%. Nessas regiões, também é maior a tensão entre a população húngara e os ciganos.

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